Tuesday, November 25, 2014

operação marquês


Sinto, já há muito tempo, que a PJ devia contratar-me para dar nomes às operações.  

(no que diz respeito à prisão do Sócrates, fico por aqui, que mais não sei. Nunca fui fã de José Sócrates, pelo contrário, como os arquivos deste blogue revelarão, mas não sou de ódios futebolísticos em política, não tenho dificuldades em identificar políticas suas que beneficiaram o país e surpreende-me sempre que existam pessoas informadas que acreditam que a chegada da troika é uma consequência do despesismo do seu governo. O meu desejo mais sincero é de que o processo seja célere e claro e que a acusação tenha um caso forte e bem fundamentado, em resumo, que isto possa ser a vitória da justiça que tantos se apressaram a celebrar e não um elemento adicional do pântano permanente em que nos movemos)

Friday, November 21, 2014

friseuretiquette

para não dizerem que neste blogue não se aprende nada de útil XLV

Se são míopes e têm óculos e lentes de contacto, escolham as lentes de contacto quando forem cortar o cabelo. De contrário ao regressar do nevoeiro ainda dão convosco de cabelo curtinho quando só tinham planeado ir cortar as pontas.

Tuesday, November 18, 2014

alista-te, diziam eles

(post para lá de interessante sobre um assunto fundamental, justificando inteiramente o meu regresso ao blogue)

Eu tenho um tablet, já antigo mas ainda muito jeitoso, que na verdade só tem dois defeitos: foi feito por uma empresa que gosta de dificultar a vida às pessoas (um defeito grande) e gosta de começar a tocar música sozinho, sem que eu perceba porquê (um defeito mais pequeno). 
Ora como o tablet é feito pela tal companhia do demo e por música em qualquer geringonça dessa empresa é uma seca, eu só tinha um álbum na dita cuja geringonça, a Winterreise. E portanto de vez em quando, inesperadamente, começava a ouvir música baixinho, descobria a fonte, e desligava (ou ficava a ouvir). 
Entretanto a empresa do demo actualizou o sistema operativo e eu, que descobri uma forma de manter o Moviebox (o qué isso?) sem ter de fazer jailbreak (fiz assim), aceitei a actualização. Como por música numa geringonça da Apple continua a ser uma seca, continuo a só ter um álbum, mas desta vez é o que vinha com o software (mas porquê, porquê?). 

Resultado: enquanto não me dou ao trabalho de me livrar desse álbum, a minha tabuleta tecnológica, que dantes tocava Schubert quando lhe apetecia, agora toca U2. E ainda lhe chamam um upgrade. 

 

Wednesday, November 05, 2014

a vida nos antípodas*



A Luna partilhou aqui o filme dos piropos na versão Manuel de Oliveira: o filme começa, o filme continua, o filme avança, o filme sobra e ninguém diz nada, um senhor mete-se, outro pede direções, e é tudo, em horas e horas.
Ah, a civilização. Também já lá estive e lembro-me bem que era muito jeitoso. Uma pessoa ia na rua e, se não prestasse atenção, até se esquecia de que existia ou que tinha um aspeto físico.

 (*sem assédio verbal, sem desconversas semânticas e sem impasses eternos sobre o que é ou não prioritário discutir hoje)

anti-depressivos naturais


Comprei dois livros* enquanto ouvia música iraniana lindíssima. Comi uma bola de gelado de Snickers, portanto caramelo, amendoim e chocolate, extraordinária. Sentei-me num banquinho a constatar que o tempo, o céu azul, o vento e a temperatura menos inclemente já pediam um casaco leve. 

(*são um presente. No que aos restantes livros diz respeito, também decidi por travões ao consumo desregrado e com exceção aberta para os que precisar para a universidade, adotei a regra de uma amiga: só compro um depois de ler dois)(se calhar é melhor três, que eu leio muito rápido e tenho muitos livros por ler em casa)

três coisinhas muito rápidas sobre a Merkel e os licenciados portugueses em excesso

(só as que não vi ditas noutros locais)


1. Em Portugal, uma licenciatura continua a compensar largamente do ponto de vista da probabilidade de conseguir um emprego: de acordo com esta infografia do Jornal de Negócios, só 14% dos jovens desempregados em Portugal tem uma licenciatura. Já de acordo com números de Maio deste ano, a taxa de desemprego dos ativos qualificados é bastante mais reduzida (12,9%) do que a dos não qualificados (17,1%). Esta tendência, de que uma melhor formação aumente as hipóteses de ter um emprego, repete-se em todos os países da OCDE para os quais há números.

2. O mesmo é válido para o nível salarial esperado: uma licenciatura é, em Portugal, ainda a forma mais racional de tentar escapar a um ordenado miserável. Uma vantagem que está a reduzir-se com a contração generalizada dos salários, e especialmente no caso dos jovens, mas que ainda assim se mantém. Também esta tendência, de que uma melhor formação aumente as hipóteses de ter um melhor salário, se repete em todos os países da OCDE para os quais há números.
 
3. O sistema de formação alemão, tantas vezes cantado em Portugal por quem nunca se cruzou com ele, assenta por um lado em salários justos para trabalhadores sem formação superior, que podem legitimamente esperar uma existência confortável, o que não é, como vimos, genericamente o caso em Portugal. E, por outro lado, assenta num ensino elitista que eterniza o fosso entre os alemães que têm acesso a uma formação, secundária e superior, melhor e todos os outros. Conforme já referi aqui no blogue, os relatórios da OCDE que Merkel tanto parece desprezar indicam que no seu país os números reais da permeabilidade entre vias de ensino são irrisórios e os indicadores sugerem uma muito reduzida mobilidade social, com muito poucas crianças cujos pais não tinham formação universitária a frequentarem cursos superiores - em 2014 dois terços dos estudantes universitários alemães eram filhos de pais com educação superior e a Alemanha é dos poucos países estudados onde não há uma mobilidade social positiva. Como portuguesa, mas também como alemã honorária, tenho muitas reservas face a este sistema. 

E por último, um apontamento: desde que cheguei a Portugal que me tenho cruzado com frequência com jovens licenciados ou em formação académica, trabalhei com muitos em Setúbal, convivi diariamente com eles quando trabalhei no gabinete de comunicação de uma universidade e neste semestre dou aulas ao segundo ano da licenciatura de Relações Públicas de uma instituição pública. Da minha parte, não tenho dúvidas que o nível geral de conhecimentos que têm, mesmo deixando fora os saberes académicos que tanto desprezo merecem em Portugal, é não só muito bom, como muito melhor do que o nível geral dos profissionais do ativo, o que suponho que seja o que se pretende. Não me choca nada que sejam considerados a geração mais bem preparada de sempre em Portugal - pelo menos na minha área, acho muito provável que o sejam.

Tuesday, November 04, 2014

coitadinho


Este blogue, se estivesse vivo, fazia dez anos hoje.
(em jeito de tentativa de ressuscitamento artificial, alguém se quer juntar a uma espécie de #nablopomo, caseirinha e atrasada?)

Tuesday, October 14, 2014

o post que antes de ser já o era


Ainda o filme não tinha começado já eu estava emocionadíssima com a multidão que se juntou na Gulbenkian para ver um filme sobre um país distante. Foi tão forte que tive de ir à agenda ver se estaria quase a vir-me o período. 

(mesmo antes de ver o filme, o orgulho que tenho nisto, nesta mulher que tem uma visão e a concretiza, toda ela determinação e sensibilidade, sem nunca ter feito um filme, sem nunca ter ido à Arménia, é avassalador) (mas sim, depois venho contar como foi, com a imparcialidade possível)(Update: era muito bonito, claro)

Lisboa e as cheias


Para quem quer conhecer melhor os problemas de drenagem e escoamento de águas da cidade de Lisboa e perceber porque é que há periodicamente cheias em Lisboa, especialmente nas áreas com ribeiras subterrâneas como a Avenida da Liberdade, a Almirante Reis ou Alcântara, recomendo este artigo do Corvo e o estudo que cita (ler a partir da página 44).
 
(não consigo sublinhar vezes as suficientes o quanto aprecio o verdadeiro serviço público que é jornalismo local de qualidade, desde que subscrevi os feeds do Corvo que me sinto muito melhor informada sobre Lisboa)

Monday, October 13, 2014

#90diassemcompras

(a dois dias do fim, em jeito de balanço)

Claudiquei? Pois que não, não claudiquei. Não comprei aquele anel lindo (*), aliás, não comprei joias nem bijuterias. Não comprei roupa. Não comprei sapatos. Não comprei cremes nem artigos de higiene tirando os que acabaram e tiveram de ser substituídos. Não comprei perfumes. Não comprei malas, nem malinhas nem carteiras.

Mas e...? Ok, comprei uns óculos novos. Apetecia-me muito experimentar finalmente ter uns de tartaruga e, desde que comprei os primeiros óculos na Firmoo que estava para comprar um segundo ar, porque àqueles preços vale mesmo a pena brincar um bocadinho com isto de ser míope (isto é uma recomendação, mas não é publicidade. Mas eles fazem parcerias com blogues em troca de reviews honestas, se quiserem experimentar é ir ao site e verem como funciona, acho que pelo menos a armação é gratuita).
Voltando ao assunto principal do post: a minha teoria, e vou agarrar-me a ela até ao fim, é que óculos não são acessório, são necessidade, e ter só um par, especialmente um par sem armação, fininho e frágil, até é um risco. Quem é que usa óculos sem armação para ler na cama? Pois, exacto - os óculos não contam. Não sejam assim. Até porque, como foram extremamente populares lá em casa, raramente saem da caixa. 
Também comprei alguma maquilhagem, pouca:  quando abracei o desafio tinha feito uma encomenda grande de maquilhagem num site estrangeiro há pouco tempo. Mas a encomenda não chegou e devolveram-me o dinheiro, pelo que achei que tinha direito a comprar as coisas que já tinha comprado. Mas, apesar disso, comprei só mesmo uma ínfima parte do que tinha encomendado originalmente.

E não tiveste mesmo mais nada novo durante todo este período? Só presentes, mas mesmo assim foi pouca coisa. 

Custou muito? Honestamente, quase nada. A única parte mais estranha foi ter começado dois empregos novos, o que dá sempre alguma vontade de celebrar com roupagem apropriada, e ter feito uma viagem a Estugarda, onde já era Outono, mas não fraquejei. Ok, última confissão: escrevi à Ana Pina, para saber se o anel ainda ia estar disponível a meio de Outubro. Não sei o que teria feito se ela dissesse que não (implorar um presente?) mas a questão felizmente não se colocou.

E poupaste muito? Não. O consumismo é uma minhoca que se infiltra na maçã, e encontrando um caminho fechado prontamente explora outro qualquer. É triste mas é verdade. E depois, toda a gente sabe que as férias e a poupança nunca foram grandes amigos.

E agora, vais voltar à desgraça do costume? Não! Não quero mesmo fazer isso. E já tenho um plano, a modos que. Amanhã Depois* falo mais dele, mas entretanto podem ir lendo este post e este outro sobre capsule wardrobes. No entanto, fica o aviso: se ficarem a tarde toda nesse blogue, eu não me responsabilizo.
(*corrigido no dia seguinte, quando percebi que não ia haver tempo para falar de coisa nenhuma)

ARt MENIA



Entretanto, hoje à noite na Gulbenkian, às 21:00, pode ver-se o filme sobre a história e a cultura arménias que a Helena tem usado como desculpa para não trocar comigo três ou quatro e-mails diários sobre cusquices tontas. 
Cheira-me, porque conheço a Helena, porque ouvi a música que a levou a abraçar este projeto e porque fui lendo os relatos que foi publicando no blogue, que vai ser um filme muito, muito especial. Não sei se existirão outras oportunidades de ver o filme (vou ali almoçar e já vos digo), pelo que recomendo vivamente que reconsiderem os vossos planos para esta noite.

Update: vai dar na televisão! Quando souber quando e em que canal aviso.

Wednesday, October 08, 2014

um post para tentar falar, devagarinho e com calma, sobre pedofilia


O principal argumento das pessoas que defendem o registo obrigatório de pedófilos e a partilha dessa informação com os pais de crianças residentes na zona é o facto de a pedofilia não ter cura e portanto um pedófilo não poder ser recuperado, de nenhuma forma, pelo sistema prisional ou por qualquer outro. 

Isto é um facto: sendo encarada genericamente como uma doença do foro psiquiátrico*, a pedofilia é no seu comportamento muito mais próxima de uma orientação sexual do que de uma doença, não tem causas comprovadas, não existem curas e os pedófilos são, eles próprios, incapazes de mudar o facto de que se sentem sexualmente atraídos por crianças.

Não quero com este post defendê-los, mas quero deixar muito claro o essencial da minha posição: se queremos, como sociedade, agir sobre um problema, temos de procurar ao máximo compreendê-lo. E a diabolização, por mais compreensível que seja, e é absolutamente compreensível no caso da pedofilia, é sempre inimiga do conhecimento.

Para mim, houve dois passos essenciais na compreensão da pedofilia, e foram os dois despoletados por excelentes peças jornalísticas. A primeira, que infelizmente já não consigo encontrar, falava de um projeto de um hospital berlinense, que criou um programa de apoio para ajudar pedófilos a não passarem à ação. E a segunda, que quero trazer-vos hoje, é um texto sobre comunidades na internet em que jovens pedófilos tentam apoiar-se uns aos outros no sentido de nunca agirem com base nas suas fantasias, pulsões e atrações

É um texto duro, mas recomendo-o mesmo, é fundamental para perceber algumas coisas, entre as quais estas: que existem muitos pedófilos que conseguem nunca tocar numa criança, que, salvo raras exceções como este programa em Berlim, não têm ajuda, mas que é possível e necessário acompanhá-los de forma a prevenir crimes, especialmente àqueles que, de entre eles, querem e procuram apoio. E para quem, como sociedade, não temos resposta.

Porque o desafio é imenso: mesmo com a possibilidade de tomarem medicamentos que reduzam o desejo e a potência sexuais, estamos a exigir a indivíduos que consigam de forma inteiramente eficaz subjugar aquela que na prática é a sua orientação sexual, sem qualquer apoio, sem falar com ninguém e sem perder força, nem por um momento, apesar da culpa e do estigma de quem, algures na adolescência, descobriu em si inclinações monstruosas.

No caso dos pedófilos que não querem praticar atos criminosos (e naturalmente há também os que querem, como em tudo na vida, e há para além disso crimes de pedofilia praticados por indivíduos que não são pedófilos) garantir a sua saúde mental e apoiá-los nesta batalha que os vai acompanhar toda a vida pode realmente fazer a diferença, evitar uma tragédia, salvar uma criança.

Por isso, mesmo que não consigamos sentir empatia com eles, um programa deste tipo seria sempre urgente, necessário e sensato. E, para pedófilos que já cometeram crimes pedófilos e que foram condenados, exigia-se igualmente um acompanhamento deste tipo, apoio médico e psiquiátrico que os ajudasse a controlar-se e que vigiasse consistentemente o seu estado mental e psicológico de forma a prevenir novos crimes.

A proposta de lei que está a ser desenhada pelo Ministério da Justiça, claro, não passa por aqui - nada de surpreendente, a prevenção não é o forte dos Estados regidos pela austeridade e também não costuma ser um cavalo de batalha da direita, especialmente no seu discurso sobre crime e segurança.

Com elevada probabilidade, a proposta de lei é inconstitucional e nunca verá a luz do dia - corretamente a meu ver. Porque, para além de ser um atropelo aos direitos fundamentais de um indivíduo que terá cumprido a pena que considerámos em conjunto ser adequada, a proposta de lei é ineficaz, perigosa, irresponsável, desumana e preguiçosa. 

Ineficaz, porque tirando aumentar a vigilância, diminuir a liberdade de movimentos da criança,  alertá-la para o perigo que corre ou mudar de casa, não há muito que os pais possam legalmente fazer com esta informação. 

Perigosa, porque deixando estes pais sozinhos com essa informação e com a forma de processá-la, convida ao linchamento do "monstro" e a outras formas de resolução direta do problema, também elas crime. 

Irresponsável e desumana porque torna incomportável a existência de um indivíduo de cuja saúde mental, equilíbrio e força de vontade estamos dependentes para garantir a segurança das mesmas crianças que queremos proteger. 

E preguiçosa porque passa esta informação aos pais como isto fosse suficiente, como se assegurar a segurança das suas crianças face a ameaças provenientes da sociedade, e ameaças desta natureza em particular, fosse da exclusiva responsabilidade deles e o conhecimento da origem da ameaça fosse suficiente. 

E isto é de um Estado preguiçoso, de um Estado que se demite. Um Estado que diz "olhe, veja lá, esse indivíduo é perigoso, então muito boa tarde, passe bem". E isso, parece-me a mim, não chega.


Update*: Recomendo também a leitura deste artigo do New York Times que me recomendou a Isa. E, para perceber melhor a questão da perturbação/doença/atração a leitura deste e deste posts da Ana Matos Pires, que me recomendou a Cipreste.

Thursday, September 25, 2014

breve interrupção no silêncio deste blogue para imitar o blogue da vizinha


(roubada no Público

A prerrogativa blogosférica de distribuir medalhas no 10 de Junho, normalmente a si própria, é da Helena Araújo. Mas como as medalhas de mérito no nosso país se destinam normalmente a contribuições decorativas, ou pelo menos de natureza mais inócua, queria deixar aqui a minha, neste blogue abandonado e às moscas: eu acho, sem pingo de exagero, que a democracia portuguesa é melhor porque existe o Paulo Pena.

(embora Cavaco Silva se mantenha na Presidência da República, ainda que a maior parte dos nomes referidos neste livro tenha sobrevivido ao fim do BPN e mesmo que provavelmente Passos Coelho não se vá demitir)

breve explicação do silêncio deste blogue


A autora ainda mal tinha acabado de aceitar uma proposta para um emprego novo quando lhe surgiu outro emprego novo, este em part-time e a realização de um sonho muito antigo. Aceite por parte do primeiro emprego a acumulação com o segundo emprego, a autora preparou-se para três meses muito difíceis mas, com sorte, muito compensadores. No meio disto tudo o roomie da autora, que partilhava com ela a sua vista de Tejo, revelou ser um homem com bagagem: caixotes e caixotes dela. E, ainda com a bagagem por despachar, a autora foi, na segunda semana do primeiro emprego, portanto primeira semana do segundo emprego, passar cinco dias a casa dos pais, de forma a libertá-los para umas merecidas férias. Voltou a casa ontem, apenas para ser informada de mais uma convulsão na rotina: a visita de uma das mulheres mais importantes da sua vida, por uma semana.

Isoladas, todas estas novidades são maravilhosas. Juntas, continuam a ser maravilhosas - mas deixam uma rapariga a modos que assoberbada.

Monday, September 01, 2014

a história das férias que nunca mais paravam de encolher e que ainda bem que já acabaram, porque senão ainda tinham de encolher mais um dia


(roubada aqui)

Este ano, nas férias, queríamos ir para a praia o mês inteiro, descansar mesmo, de um ano pesado e duro. Mas entretanto (1) reservámos uma semana para ir a Berlim. Não fomos a Berlim, mas as férias passaram a três semanas, uma das quais na companhia do mais doce dos rapazinhos. De seguida (2), entreguei a minha demissão*, perdi cinco dias de férias e ficaram apenas duas semanas. Depois (3), convidaram-me para ir a uma reunião a Estugarda, já no âmbito do meu emprego novo**. Aceitei, já só sobrava uma semana e dois terços. E, por último (4), os pais do rapazola tiveram um contratempo e não puderam ir buscá-lo, pelo que fomos nós devolvê-lo: cortámos as férias por ali, nos dez dias. Sem grandes hesitações, acho que foram as melhores férias dos últimos anos. 


(a novidade prometida era esta: *um emprego novo, com direito a falar, ler e escrever alemão, **a passagens ocasionais na Alemanha e a combinar duas das coisas que me fazem mais feliz, a Ginger e o Tejo)

Friday, August 08, 2014

aquavit



Não é que eu esteja a escrever tanto que vão estranhar a minha ausência mas, ainda assim, cumpre informar que vou de férias, a banhos, e que se tudo correr bem volto em Setembro, bronzeada, feliz, com a barriga cheia de peixe e com novidades.

Tuesday, July 22, 2014

ah, afinal ainda era mais uma e até é uma anedota


Na caixa de comentários do Público discutia-se o facto de a recente avaliação dos centros de investigação portugueses da FCT, levada a cabo com o objectivo de excluir metade deles de financiamento público, significar o provável encerramento dos dois únicos estudos dedicados aos Estudos Clássicos. O artigo refere os diferentes indicadores de qualidade apresentados pelos centros em sua defesa, inclusive o número de publicações.

Resposta esperta de um comentador: "Publicações que não se vendem...ou que não se sabe vender... está justificado o não investimento. Creio que é mais o não saber vender. É tipico do Português..."

três coisinhas muito rápidas das quais queria falar mas que resumo aqui por manifesta falta de tempo



1. Quem viaja e quer ver tudo, não perder nada, já perdeu tudo, não viu nada. Um aforismo da série "lições de uma rapariga que não tem dinheiro para ir a lado nenhum aos turistas que viajam com uma lista de tarefas em punho".

2. Quando chegaram os cupcakes falou-se mal, mal, mal até a moda passar. Depois chegaram os macarons e já havia menos energia, mas ainda assim falou-se mal, mal, mal até a moda passar (e que pena que foi). Agora já não há energia nenhuma e por todo o lado pululam a pasta de açúcar e os cake pops, que são a nova pirâmide. E não há quem nos salve. 

3. Há guerra na Ucrânia, há guerra na Palestina. E todos continuamos na vidinha de todos os dias. Dito isto, pergunto-me se havia demasiados mortos naquela famigerada capa do Correio da Manhã ou se, pelo contrário, o fotojornalismo do "bom gosto" é parte integrante do que nos mantém adormecidos e brandos. Ou a indignar-nos com o reinado da pasta de açúcar, o que é a mesma coisa.

Monday, July 21, 2014

aproveitamento político


O exame nacional de Português da segunda fase pedia um texto sobre "a necessidade de optar entre o conformismo e a coragem de assumir riscos". A minha irmã Vitória escreveu sobre o conformismo da população portuguesa e a necessidade de assumir os riscos necessários para destituir o governo. 

Não sei se tenha orgulho no risco que ela assumiu ao criticar o Governo num exame nacional ou se desconfie de aproveitamento político. Afinal, como ela prontamente me explicou, os exames são corrigidos por professores. 

lehkost*

#90diassemcompras

(Ana Pina faz regularmente coisas muito bonitas, mas acho que este anel é a minha favorita de sempre.)


Tentações à parte, e esta confesso que ainda é grandinha, ter posto de parte as compras durante os próximos noventa dias é um descanso, há imensas malas, sapatos e vestidos em que não vale a pena pensar, o que simplifica muito a vida de uma pessoa. Acho que vou usar o espaço mental que me sobra para decorar poemas.

(*leveza, em checo, uma palavra tão leve e delicada como o que diz e de que gosto muito)

Wednesday, July 16, 2014

o observador enviesado


O que seria do jornalismo português sem José Manuel Fernandes? Sem ele, por exemplo, eu nunca teria descoberto que o movimento sionista foi um movimento em que judeus se mudaram para a Palestina e compraram lá casas.Assim a modos que como os lisboetas no Algarve, mais coisa menos coisa.

(a título de curiosidade, espreitei outros textos da secção pedagógica "Explicadores". Há um sobre o aumento da dívida pública desde a chegada da troika. Ao longo de vinte e três linhas refere três factores. No parágrafo final, antes de nos explicar que é tudo muito complexo, reflecte também de passagem uma coisita chamada juros)

Tuesday, July 15, 2014

noventa dias (90!)

em que rita maria se compromete a parar a sangria orçamental e renuncia às compras 




Depois daquela hecatombe em que eu, em meia hora de labuta, aumentei o meu guarda roupa em nove (9!) pares de sapatos, decidi que já tinha dado para esse peditório. Agora já não preciso de sandálias rasas. Nem de sandálias com um salto médio. Nem de cunha. Nem de sandálias cor de rosa, azuis, douradas ou pretas ou beige ou de várias cores. Tenho todos os sapatos de que preciso. E, na verdade, pensando bem, também não preciso de mais roupa. Nem de mais pulseiras, brincos e colares. Nem de mais malas, sacos e carteiras. Nem de maquilhagem, nem de perfumes, nem de cremes. 

E então, animada por esta revelação e inspirada por este post (descoberto via Pollijean), cortei tal rubrica do meu orçamento pelos próximos noventa dias, mesmo a calhar, dez por cada par de sapatos. E deixei aqui firmado o compromisso, bem como as regras do jogo, que são as seguintes:


Estão contempladas as seguintes excepções:

1. Dinheiro gasto em serviços de costura não conta - não posso comprar roupa nova mas posso encurtar, apertar ou reparar tudo o que tenho. E especialmente tudo o que tenho guardado à espera de alterar, reparar ou transformar.

2. Se estragar um par de calças posso comprar outras - esta excepção justifica-se pelo facto de ter muito poucas calças, dois ou três pares, pelo que posso precisar mesmo de substituir umas se se estragarem. Não se aplica a saias e muito menos a vestidos.

3. Roupa interior, que é necessariamente de renovação mais frequente.

4. Hidratante de rosto, que vai acabar sensivelmente a meio deste período e será substituído. 


Não estão contempladas as seguintes excepções:

1. Ah, mas isto está tão barato, uma pechincha, inacreditável. Azar. 

2. Ah, mas tinha-me esquecido de que precisava mesmo de um casaquinho de malha azul (por acaso até é verdade), de umas calças mais frescas, de.... Azar.

3. Ah, mas o Inverno começou mais cedo e eu para o Inverno já sabia que precisava de umas botas. Azar.

4. Ah, mas... Azar.


Não estão contempladas as seguintes extensões:

1. Roupa de casa e de cama que também não preciso (uma pessoa também não pode deixar de contribuir para a economia).

2. Idem para outros elementos de decoração ou utilidade doméstica  (uma pessoa também não pode deixar de contribuir para a economia).

3. Livros de que também não preciso (uma pessoa também não pode deixar de contribuir para a economia).

4. Ah, mas...outras coisas que não tenham sido referidas acima (uma pessoa também não pode deixar de contribuir para a economia).


Sim, porque isto não é o meu passaporte de entrada para o minimalismo, que é uma filosofia contrária à minha natureza emotiva, gregária e desorganizada. É só um reconhecimento de que comprar roupa nova quase todos os meses, tendo-se tornado regra na sociedade actual, é um absurdo, e de que sim, menos escolhas facilitam o processo de tomada de decisão matinal sobre o que vestir, processo que parece que é muito divertido para algumas pessoas mas que para mim é uma tortura. Ah, e de que sou uma rapariga assim para o pobrezinho e de que não posso continuar a viver como se tivesse o meu salário alemão. 

Sunday, July 13, 2014

Thursday, July 10, 2014

a lei de rita

the great ebay splurge of 2014

Sapatos que já chegaram: 9/9
Sapatos de que gosto realmente: 8/9*
Sapatos que me servem: 8/9**
Sapatos que só vou usar depois do Verão: 2/9
Sapatos que são lindos mas de utilidade francamente reduzida: 1/9
Sapatos que acho que valem definitivamente o que me custaram: 9/9
Sapatos que teria comprado mesmo que estivessem ao preço normal: 6/9

Saldo: muito positivo (ver título do post). Mas agora não quero ouvir falar mais de sapatos por uns largos meses.

(*há uns que me levantam algumas dúvidas, são giros mas não são bem o meu estilo)
(**snif, uns são grandes)

Wednesday, July 09, 2014

são feiinhos mas pelo menos são corteses



(na página de Facebook da Selecção Alemã)
(perde-se um bocadinho na tradução, especialmente aquele "Kopf hoch!", que é uma combinação entre "ânimo!" e "mantenham o orgulho")

 
Yellow Dinosaur