Friday, May 17, 2013

maio, maduro maio




Conheço razoavelmente uns e outros. E já me tentaram explicar que aqueles não cooperam, que os outros é que são sectários, que uns isto, que outros aquilo e que terceiros ainda pior. Mas eu juro que não entendo e que não vou passar a entender - neste momento, uma esquerda responsável tem de ser capaz de se superar, por uma questão de responsabilidade, de lealdade para com o país e para com a situação dramática daqueles que defende, de urgência.

seriously?


(Cavaco e esposa, em coro, para Nossa Senhora de Fátima há coisa de uns minutos)

Thursday, May 16, 2013

sabedoria de alfama


Ó pá, neste mundo não há burros, não há pessoas burras, uns são super-dotados para umas coisas, outros são super-dotados para outras.

BILF 2013

take segunda


Há poucos blogues de que goste tanto como da Rulote. Tem momentos de génio como este primeiro parágrafo, crónicas de costumes certeiras e citações de génio. E como se isso tudo não bastasse, percebe de erotismo. Contas feitas, é uma escolha quase demasiado fácil. Mas que se impunha, também por isso. 

(agora vou ali corar, mas só um bocadinho. Isto uma das vantagens de ser uma rapariga de coração entregue é que convivemos de forma invulgarmente descontraída com as nossas paixonetas)

Pacheco Pereira a BILF 2013



(roubada aqui)

Há vários motivos pelos quais os homens se tornam atraentes: no topo da minha lista estão a inteligência*, a generosidade e o combate a este Governo.

Nesta última categoria, não há ninguém na blogosfera ou fora dela que se aproxime sequer de Pacheco Pereira. A acutilância a denotar um sentido de humor fino, a virulência quase sempre acompanhada de uma certa elegância, num equilíbrio só acessível a alguns, a persistência e a incapacidade de se resignar ao empobrecimento generalizado herdeira de uma certa noção de responsabilidade colectiva, cada vez mais rara, a recusa de confundir a sua posição ideológica com o que três ou quatro badamecos do seu partido fazem em nome dela a demonstrar exigência e respeito por si mesmo. Ah, e ainda há o serviço público. Que mais é que vocês querem num homem?

Mas se não bastar ainda ofereço uma cultura notável, sensibilidade artística e, de vez em quando, ideias das quais é forçoso discordar. Tudo o que faz um BILF.

A segunda nomeação segue dentro de momentos.

* a sensibilidade, o sentido de humor e os olhos brilhantes vêm por arrasto.

Wednesday, May 15, 2013

como descobrir se os problemas de estômago que anda a ter são de origem nervosa


Enerve-se. Mas a sério e de preferência por várias horas seguidas, por motivos de ordem distinta e com angústia, tristeza, frustração e noites mal dormidas à mistura. Se ficar com uma cólica e não tiver comido nada de estranho, já sabe.

o mercado de trabalho português numa frase


Procuramos alguém com formação (Mestrado) e experiência mínima de 5 anos para estágio do IEFP.

Quem anuncia é uma "Associação para a Promoção da Inovação e do Empreendedorismo". Para quem ficar com dúvidas, a inovação consiste em recrutar estagiários com cinco anos de experiência profissional na área de trabalho a que se refere o anúncio e o empreendedorismo consiste em aproveitar-se pro-activamente do desespero das pessoas para conseguir recrutar um profissional experiente a preço de saldo, salvo erro pouco mais de seiscentos euros. Com o apoio do Estado, pois claro.

(entretanto, noto que Portugal se aproxima mais da civilização e das formas de trabalhar da Europa Central. As últimas histórias partilhadas nesta plataforma de serviço público são  iguaizinhas a esta minha experiência na Alemanha)

nossa senhora e o apocalipse troikista


(roubada daqui)

Efetivamente,estava tudo no primeiro segredo: Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados neste fogo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros.

(por falar nisto, ao ler o segundo segredo, fiquei confusa: então a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto tiveram lugar em jeito de vingança? Não era aquela história do livre-arbítrio, da não-intervenção e quejandos?)

Monday, May 13, 2013

Saturday, May 11, 2013

A Europa:


Um Positivista Lógico tentando provar a si próprio que existe.
(Lawrence Durrell, Balthazar, 1958)

Thursday, May 09, 2013

danos colaterais

17,7% deles

Quando Vítor Gaspar destaca, e estou a citar, "o grande contributo que tem sido dado pela secagem e emagrecimento do sector privado" cujo ajustamento terá sido "notável, exatamente como foi previsto" está dizer, preto no branco, que o aumento do desemprego não é um dano colateral mas uma parte dos objetivos oficialmente assumidos desta política.

(não é nada que não soubéssemos, claro, mas é bom lembrar isto quando o Governo finge surpresa perante os números do desemprego, tendo fingido anteriormente que achava que iam ser mais baixos)

Wednesday, May 08, 2013

musíme si pomáhat*



Eu, é um dos meus defeitos, não tenho muito jeito para pedir ajuda. Acho que não é nenhum trauma da infância nem pode ser explicado pela história da minha vida, não me lembro de ter pedido ajuda e de ma terem recusado. Nem é orgulho, acho, mal de que cada vez vou padecendo menos. Independência, timidez talvez? 

Mas de vez em quando, quando as coisas ficam mesmo pretas, alguma coisa em mim se supera e avança. Desta vez, nem hesitei. E fiz bem, porque pode nem surtir nenhum efeito mas sabe muito bem sentir o carinho e o apoio de quem nos tenta ajudar. Num dia era eu contra o universo, de repente há uma vila inteira a torcer por mim. E assim, até uma derrota em toda a linha valeria a pena.
 
(*um filme checo que vi em Praga quando lá estudava e cujo título me ficou na memória. É uma das poucas coisas que ainda sei dizer em checo, temos de ajudar-nos uns aos outros. Deu muitas vezes jeito quando as velhinhas do elétrico tomavam o meu sorriso como encorajamento e me contavam a vida toda - entre um sim, um não, sorrisos simpáticos, sorrisos compreensivos e um ou outro "não me diga!", às vezes no fim dava para rematar com este equivalente checo do "olhe vizinha, temos de ser uns para os outros". Tudo, claro, sem perceber patavina)

se maomé não vai ver a primavera berlinense, vêm os castanheiros ter com rita maria



Com o alto patrocínio dos meus pais, que aceitam e incentivam a maluquinha das árvores que lhes calhou como primogénita. E da Junta de Freguesia dos Olivais que, possivelmente em virtude de ter como presidente o mais floral dos autarcas, decidiu plantar castanheiros para nos alegrar os dias.

(mais, no mesmo fim de semana trouxeram-me espargos, directamente da Europa Central para o meu frigorífico)

Monday, May 06, 2013

fail again, fail better


Este fim de semana fui às compras, mas perdi-as. Voltei para casa, tentei ligar o computador, morreu-se-me. No dia seguinte, já refeita, comprei um presente para o dia da mãe – não servia. Depois, fui ao supermercado, a planear fazer lasagna ao chegar a casa. Esqueci-me do tomate. Em vez disso,  fiz sopa de cogumelos para celebrar a chegada de um rapaz que me tinha fugido. Ele não gostou. Deitei-me no sofá a chamar o sono, não veio. Já de madrugada, tentei reunir coragem para ir matar uma borboleta da noite que crescia na minha imaginação de cada vez que eu fechava os olhos num sonho semi-consciente. Afinal, já estava morta. Éramos duas. 

(com fins-de-semana assim, quem é que precisa de segundas-feiras?)

Sunday, May 05, 2013

made in portugal


Desde que acabou este programa de televisão que os meus conhecimentos de música pimba não eram actualizados. Felizmente mudei-me para Alfama.

glup


De repente chega uma altura em que as pessoas nos começam a dizer que estamos óptimas, parecemos miúdas, muito bem conservadas e nós engolimos em seco porque mentalmente ainda estamos à espera de um "ena, estás uma senhora". E apesar de sabermos que a resposta certa a um elogio é um simples obrigada, o que apetece mesmo dizer é "credo pá, sou muito nova para me dizerem isso".

Friday, May 03, 2013

S01E13


Sabes que andas a fazer algo de errado quando vens escrever no blogue na hora de almoço porque acabaste de a gastar a ver o final da primeira série de The Americans e não tens ninguém com quem falar sobre isso.

true story


O segundo dia do resto da nossa vida é muito mais fixe que o primeiro dia do resto da nossa vida.

Thursday, May 02, 2013

MANJERICOÁSIS


(daqui)


As pessoas dizem mal da burocracia, mas ela até não é assim tão má. Por exemplo, antes de existir o “Empresa na Hora” podia ser que algumas destas pessoas tivessem tido tempo para reflectir nos nomes que tinham escolhido para os seus projectos.

Desafio: quem encontrar o nome mais engraçado ri mais. Começo eu: Mérito Airoso. Não, Neptundolphin. Argh, não, Querubim do Bosque. Rabanetencantado! Rabanetencantado é que é.

Tuesday, April 30, 2013

preparação mínima


Acabo de ver na TVI um repórter a perguntar a um holandês se se refere à nova rainha como máxima por ela ser a mais popular.

Monday, April 29, 2013

coisas que me aconteceram enquanto vocês não estavam a ver



Transformei um cemitério de caixotes e pó numa coisa a que, muito devagarinho, se pode chamar uma casa. Aqui entre nós, apesar de o resultado final ainda não ser final, estou muito orgulhosa dele e estou convencida de que sou o maior génio do puzzle decorativo-arrumador. Se tiverem demasiadas coisas para por num espaço pequeno e quiserem que fique com bom aspecto, podem contratar-me, ser bem-sucedida contra todas as probabilidades faz-me tão feliz que acho que o serviço é gratuito e tudo.

(posto isto, não há fotografias, primeiro porque depois vocês diziam “pff, era só disto que ela estava a falar?” e depois porque eu moro lá e sou uma rapariga muito privada, de vez em quando. Punha uma fotografia da vista maravilhosa que tenho da varanda da sala, mas noto alguma má vontade face a esse tema)

Celebrei uma pequena vitória no trabalho, com um bom resultado num daqueles projectos laterais que canibalizam todo o nosso tempo. Mas a primeira fase correu bem e fiquei contente.

Fiz uma amiga nova velha, numa noite bonita, de uma beleza sem surpresas (enfim, não totalmente sem surpresas, uma vez que foi nessa noite que me tornei por algumas horas dona de uma bolsinha Miu Miu, feita de uma pele extraordinária. Mas não se excitem, que encontrei a dona logo no dia seguinte).


Fiz anos. Andei meses inteiros em que me apetecia imenso fazer anos (é uma coisa que me deu a partir para aí dos 27, não sei explicar) e depois, na hora da verdade, claro que já não me apetecia nada. Mas ignorei e celebrei condignamente: para mim, comprei um pequeno-almoço especial e, claro, flores – ainda não havia peónias, foram cravos, de que às tantas até gosto mais. E depois disto ainda tive direito a um bolo de aniversário fantástico, a dois presentes maravilhosos, a três mensagens muito especiais e a um fim de tarde em Cacilhas, um sítio de que gosto muito.


E, por último, fui de férias por quatro dias que mais pareceram uma boia de salvação e encontrei-me com o mar pela primeira vez este ano, braçada a braçada, Atlântico, sal e sol. Como companhia única levei “Alexandria”, um livro que tem vindo a melhorar a cada página e que me apetece recomendar antes mesmo de ter chegado a meio.

(por falar em férias, eu gosto muito de estar de férias. Também gosto muito de viajar, mas acho que lá porque se tem de meter férias para viajar não é caso para confundir as coisas – estar de férias é quando dá para ir a pé para a praia, viajar é quando se vai a um sítio novo, o que costuma ser refrescante e divertido mas também pode ser cansativo e deixar-nos a precisar de férias. Há pessoas que gostam de viajar para estar de férias mais longe, mas essas, em sendo portuguesas, afiguram-se-me muito estranhas. Em sendo alemãs compreendo, que a sopa báltica não conta)

E, no que diz respeito a mim, acho que foi isto, se me lembrar de mais alguma coisa logo venho cá acrescentar. Seguem-se, assim o tempo mo permita, a cidade, o país e o mundo. Em doses profiláticas, claro, que é segunda-feira.

Wednesday, April 24, 2013

Monday, April 22, 2013

já tenho casa!


A vida de todos os dias segue dentro de momentos (depois das férias, uns dias que tirei para descansar do esforço de conseguir uma casa bonita afastando-me da dita cuja, para devidamente me surpreender no regresso). Quando eu voltar, o blogue volta também, prometido. Está quase.

Saturday, April 20, 2013

suplemento cultural


- (...) Concorda com esta coisa incrivelmente inteligente e profunda que eu disse?
- Ah, não, na verdade não concordo muito, está a ver, na minha obra o ponto mais (...)
- Wittenberg dizia que no mundo de hoje, a finitude linguística é uma impossibilidade que representamos quando colhemos miosótis amarelos. É isto que pretende demonstrar com este seu filme?
- O que são miosótis? Não são azuis? Eu sou mais peónias.
- Haneke disse um dia que o que lhe interessa retratar são as profundidas da alma humana. Sente que o seu cinema partilha esta característica porque é austríaco?
- Ah, olhe, acho que a modos que nunca tinha pensado nisso.
- E portugueses, conhece o cinema português?
- (...)

Tenho uma ideia muito boa para aumentar a qualidade do jornalismo português: proibir a entrevista. Como género, liminarmente, sem excepções Ou isso ou fazê-las acompanhar de um comprimido de valeriana, uma pastilha Rennie ou um bagaço da casa. E para quem lê em formato digital, um gif de gatinhos.

Wednesday, April 17, 2013

era uma rapariguinha muito influenciável

[e tinha ficado Verão de repente]



(adivinhem que blogue é que eu leio)