Tuesday, July 14, 2009

apesar de, não obstante, a despeito de


e agora em ordem inversa - ainda o orgasmo feminino, mais a sério


1) Há umas semanas saiu na Visao mais uma sondagem que demonstrava uma realidade bem conhecida: uma elevadíssima percentagem de mulheres portuguesas sem orgasmos. Zero, nem um na vida (claramente, um problema de saúde pública, e nem sequer estou a brincar). Isto quer dizer, nem um provocado pela masturbaçao nem nada. Zero. (Em conversa com um amigo meu fiquei a saber que há um grande número de mulheres de geraçoes posteriores à minha que nao se masturbam. Nao sei porquê. Se vocês souberem força.)

2) Esse meu amigo citava ainda outras fontes femininas que nao sabiam exactamente o que era um orgasmo e o que deixava de ser. A teoria dele era a de uma sexóloga da Sic (sempre boas fontes) que diz que é um orgasmo quando há uma retracçao, um inicial nao querer nem poder mais, como nos homens. Ultrapassável, no caso das mulheres. Que vos parece a definiçao?

3) A grande revelaçao foi para mim nessa discussao a grande diferença apontada entre os orgasmos femininos e masculinos. Eu imaginava uma relaçao de prazer aproximada de 50% orgasmo e 50% anteriores / independentes do orgasmo nas mulheres e uns 65%/35% para os homens. De acordo com ele falamos de algo mais aproximado dos 95%/5% no caso dos homens.

(O que para mim pelo menos explica todo um conjunto de mal entendidos.
Nao quer dizer que para a intensidade dos 95% nao contribua tudo o que os antecede, mas existe uma concentraçao naquele momento. O que nao só me parece uma informaçao muito útil como explica porque me desagradou sempre tanto a palavra preliminares (claramente de cunho orgasmo-determinista) e ainda o problema dos homens com o orgasmo feminino (e porque é que as mulheres o fingem, sobre isso mais no post seguinte). Ainda sobre este assunto: ainda bem que sou uma mulher)

4) Um detalhe doce: para além do sexo clássico, a única prática sexual representativa na terceira idade (a única que chegou a merecer um local no gráfico) foi o sexo oral, praticado por homens a mulheres. (também se confirmava o que discutíamos aqui há uns dias, a ascensao do sexo anal a prática corrente).

5) Logo, temos mulheres que nao se masturbam, mulheres que nao se percebem, homens e mulheres desencontrados e fixados na Atlântida (e velhotes doces). Soluçoes?

Monday, July 13, 2009

8 razoes pelas quais as mulheres fingem orgasmos

(ainda um post da série 'salvem o orgasmo feminino')

1. A piedade
A verdade é que tem o seu quê de doloroso explicar ao desgraçado, que sim, que ele nao é mau de todo, mas que nao, olha, isto até nem é bem assim, olha, nao deu, olha, nao, pronto.

2. A estratégia
Nao dá jeito nenhum a quem quer melhorar um homem na cama começar por criticar-lhe a prestaçao. Já o contrário pode ser bastante eficaz. É preciso tempo e investimento(mas isso é desonesto - sim - e uma falta de respeito, de certa forma - sim).

3. A economia de recursos
Nao vale a pena investir em todos os homens até eles serem capazes de nos dar o prazer absoluto (embora provavelmente, especialmente no caso dos maus amantes, fosse serviço público).

4. A preguiça
De explicar porque nao, de ter de encontrar uma explicaçao para o porque nao, de consolar o desgraçado, de voltar a consolar o desgraçado (a explicaçao, por melhor que seja, nunca seja).

5. O aborrecimento
Às vezes, a coisa nao vai lá. E nao vai ir lá dê por onde der. Especialmente no caso dos homens que "esperam" (acho os homens que esperam uma seca), às vezes dá jeito acabar com a coisa. Mas é preciso que a coisa esteja quase do outro lado. De contrário, pode ser necessário ver um insecto ameaçador e imaginário no tecto (fica para outro dia a lista de "6 razoes pelas quais as mulheres vêem insectos imaginários no tecto).

6. O desencontro
Aquele, do post ali de baixo, das prioridades e das percentagens. Isso: uma definiçao de prioridades. E um fingir como forma de impedir uma concentraçao excessiva num momento que nao quer ter essa importância. Um fingir para impedir ser satisfeita "com eficácia" (porque sim, também há desvvantagens quando o tipo sabe exactamente o que faz).

7. Via Lady
As mulheres que quando não atingem o orgasmo, acham que não há nada de errado com o desempenho do parceiro mas sim nelas próprias (ou um impedimento fisico ou emocional ou ambos ou até espiritual ou um castigo de deus por estar a pecar, etc etc etc) e portanto, o melhor será fingir para poder "estar ao mesmo nível" do parceiro que teve um orgasmo (em principio) - ou seja, fingir para não dar ares de quem tem um issue mal resolvido na sua vida sexual.

8. Ainda na mesma onda
A privacidade. Se for um problema quero que seja meu, se for só um humor quero que seja meu, de qualquer forma nao quero falar sobre isso. Um certo desejo de nao partilhar uma intimidade com o primeiro que apareça (o que evidente, tal como a grande maioria dos pontos, nao se aplica a parceiros de longa data - ou a parceiros ponto final).

9, 10, 11. Por aí fora?
A continuar por aí fora, estejam à vossa vontade. Quem nunca fingiu um orgasmo pode escrever comentários self-righteous e deve assinalá-los a itálico. Os homens que acham que isto é uma pouca vergonha podem escrever a bold. Quem quizer manifestar o "sao umas desonestas, depois ainda se queixam" pode escrever a itálico e bold. Quem acha que isto nao é muito distinto de dizer à avó do namorado "entao nao está fantástico, o seu pudim de peixe" quando o mesmo é intragável, escreva como entender.

sommerloch


Os blogues do PS andam tao chatinhos, valha-nos Deus. Pior, só mesmo os Status do Facebook da malta da JS. (o que vale é que já me indicaram um blog de direita particularmente indigesto)

com ponta por onde se lhe pegue


Muitos dos que a visitam a irmã Monika e aquela obra lamentam-se que este mundo é um sítio horrível, e não há ponta por onde lhe pegar.
"Pegue por uma ponta qualquer", responde ela. "Se cada um de nós agarrar uma ponta, o mundo fica melhor."

Hoje, pela mao da Helena.

Dedicado a todos os imobilistas, aos que acham que ajudar o vizinho do lado é contrário à revoluçao, aos que nunca fazem nada porque "nao, o que é mais urgente nao é x, é y" (e a todos os que acham fundamental passar os próximos anos a discutir afinal o que é que é mais urgente), aos desanimados e a todos aqueles que só nao sabem muito bem o que fazer.

Friday, July 10, 2009

declaraçao pública


Tirando um telefonema muito deprimente quando eu ainda era estudante de Erasmus, há muitos anos portanto, nao tive com o consulado de Portugal em Berlim qualquer experiência que fosse outra coisa que nao simpática, rápida, eficiente e até, pasme-se, flexível. E tudo isto ali ao fundo da rua.

o meu reino por uma fatia de bolo


De aniversário. Da Sorraia. Com creme.


(eu sei, nao escrevo nada de jeito. Mas estou tao cansada)

Thursday, July 09, 2009

o meu reino por uma cama


Numa mao, um bilhete para Nova Iorque. Na outra um para Lisboa, a meio de Setembro, uma grande amiga e promessas de boleia para as Feiras Novas. No meio, uma miríade de projectos novos que sugerem uma possibilidade de Joanesburgo no Outono. E eu a suspirar por umas horinhas de sono, na minha cama acabada de mudar, entre os meus lençois bordados de algodao que faz barulho.

Saturday, July 04, 2009

We rock.


Era so o que eu queria dizer.

Tuesday, June 30, 2009

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XII


(cheap self-help at the blog)


Tenho uma regra de vida nova. Sempre que tenho medo de fazer alguma coisa, pergunto a mim mesma o que é o pior que pode acontecer. Depois pergunto se conseguiria lidar com isso e decido que sim (que isto há aqui uma ilimitada confiança na minha força e capacidade de regeneraçao). E pronto(s). Funciona lindamente.

PS: E com isto abandono-vos e vou para Bruxelas. Se forem muito curiosos, o que eu vou lá fazer está aqui e há um Live Stream e tudo.

Monday, June 29, 2009

questoes importantes


Porque é que as solas das sabrinas ficam com um buraco se as usamos muito e as dos saltos altos nao?

humpf


Umas das minhas melhores amigas engoliu uma cassete de politicamente correcto. À pergunta,obviamente fundamental, sobre o que vestir para uma ocasiao especial, por exemplo uma conferência, acaba de me responder "qualquer coisa, porque eles têm de gostar de mim como eu sou". Aposto que quase lhe descaiu para a beleza interior. Humpf. Duplo Humpf.

PS: Vou a Bruxelas. Sugestoes, pedidos?


ferreira leite em jeito de aforismo


O que mais me assusta em Manuela Ferreira Leite nao é o facto de ela achar que o país devia ser gerido como uma mercearia, mas o facto de saber que ela seria inteiramente incapaz de gerir qualquer mercearia.

PS: Tomando como exemplo o Citibank - um merceeiro nao tem fundo de caixa, imaginemos. Precisa de dinheiro para fazer uma encomenda de farinha e lembra-se de que há uns clientes que lhe estao a dever dinheiro. Faz assim uns cálculos por alto, arredonda para cima e encomenda a farinha. Depois vai ver o bloquinho de notas e descobre que parte das dívidas nunca existiram e parte já foi paga. V5, merceeiro ao fundo.


Sunday, June 28, 2009

dilema


Observar mais ou menos ciosamente a privacidade de uma informaçao que queremos contar a toda a gente, de preferência em voz alta e com uma melodia de fundo. Nunca mais é amanha?

Friday, June 26, 2009

compasso de espera


Estou a dever posts sobre a política e os jovens e sobre a política tout court. Temo que nao invente tempo para escrevê-los antes de voltar de Bruxelas a 5 de Julho, esperemos que numa apoteose digna de uma Santa Apolónia (em jeito de parêntesis: quando os objectivos sao realistas, trabalhar por objectivos pode ter muita graça ou, melhor, quando os objectivos se cumprem, pode ser muito doce - de um doce cavalo de corrida no entanto, sem ternura, só triunfo).
Escrevo e publico as dívidas, na esperança de que me deixem mais ciente do compromisso, para comigo, para convosco, nao, para comigo, que vocês ainda nao sabem bem o que têm o direito de esperar. Mas sabem, agora, que esperar é a palavra de ordem, até 5 de Julho.

(o que nao deixa de dar direito a parentesis, como por exemplo: sinto-me sempre muito romântica e bonita se visto uma saia trapézio com algum movimento e um casaco de malha comprido. Aconteceu-me pela primeira vez no Verao de 2003 ou 2004 e chamei-lhe o ar de amante francesa (e era um amante de amor, sem infracçao). É uma daquelas profecias dos americanos, self-fulfilling, visto-me de romântica francófona e sinto-me assim todo o dia. Deviam fazer umas mezinhas ou umas cápsulas disto, para quem nao gosta de saias trapézio ou de casacos de malha)

(ah, e devo ainda agradecimentos sinceros do Prémio Lemniscata ao Rui e à Maria N.. Lá iremos, fica prometido)

(e outro: Querido Pai Natal, desejo a todos os meninos a paz no mundo e uma mae como a minha.)

Thursday, June 25, 2009

nova regra laboral II



Check. Uff.

no ginger, no fun


Hoje, chuva copiosa, nao há Ginger para ninguém (ainda ontem rejubilava que o Verao tinha finalmente chegado). Vim de metro: que quantidade enorme de pessoas infelizes. Nao sei se é do tempo ou da hora ou de mim, que já me tinha esquecido que as pessoas podiam ser tantas e tao tristes.

Tuesday, June 23, 2009

a rota das andorinhas



As andorinhas passam por Portugal no início da Primavera ("uma andorinha nao faz a Primavera"), vao por França já com uma Primavera segura ("L'hirondelle annonce soit le printemps..."), chegam finalmente à Alemanha no princípio do Verao, nos anos em que ele aparece ("Eine Schwalbe macht noch keinen Sommer") e voltam por França ("...soit l'automne") sem voltar a sobrevoar a Península Ibérica. E com um bocadinho de sorte, a minha está a chegar e o itinerário nem é assim tao diferente.

Monday, June 22, 2009

sun tzu para raparigas do campo


Por a carroça à frente dos bois, mas muito devagarinho.

Thursday, June 18, 2009

I started a joke



Quando tinha uns 12 ou 13 anos, inveitei uma piada. Era assim: "Ah, pois, eu também conheço uma rapariga, muito boa rapariga, que mora com a tia, que é uma pessoa doente". Contava esta história a todos os propósitos e acrescentava sempre um bocado. A doença da tia, o emprego no café, mas que coitada, só dava 80 contos, a casa e a certa altura até um rapaz sério, trabalhador, com quem ela namorava. A certa altura, a história estava tao comprida que a abandonei, mas de vez em quando tenho saudades. Se eu tivesse continuado, onde nao iria já a rapariga? O que terá sido feito dela?

PS: Via Bordado Inglês: estao a chover girinos no Japao e parece que nao é de todo pouco comum.

Tuesday, June 16, 2009

ultrapassagem pela esquerda


Tornamo-nos velhos quando lemos uma frase que menciona algo de que "ninguém fala mas toda a gente faz" e é uma coisa que tínhamos arrumado na lista do "é que nem pensar". Acho melhor assentar, casar-me e ter filhos, que isto está a acabar.

contrastes


Dormi tão bem esta noite, julgo que muito por causa do Tomaso Albinoni em música de fundo. E depois acordo e posto a Joanna. O mundo não é justo.

(reparem na tónica cobarde, de quem não tem coragem de postar a Joanna sem estabelecer algum equilíbrio e tentar reconfortar as intelectualidades...ah, o ridículo pela manhã)

uma infância feliz e muitas repetições das curvas de braga


(um post só para o meu pai e o felipe)





As apostas de quantos leitores eu vou perder depois deste post é nos comentários, se faz favor. Mas claro que os comentários de quem ainda se lembra de que cor era o amor têm muito mais valor.

Monday, June 15, 2009

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil XII



Há uma nova entrada para o ranking mundial de mangas, pelo que passo a corrigir:

Primeiríssimo lugar - a Índia. Indisputado, indisputável. Nada bate uma manga indiana, a doçura, a complexidade, a textura.

Segundo Lugar - Costa do Marfim (qual Costa Rica!) - aqui a África a ultrapassar claramente Israel. Mantém-se a ausência de fios mas com um sabor muitíssimo mais interessante, a doçura equilibrada com a acidez, a textura também muito boa, um toque ligeiramente picante, fantástica.

Terceiro Lugar - Israel - Uma manga clássica, simpática, madura e sem fios.

Quarto, Quinto, Sexto e por aí fora - Países que nao me ficaram na memória.

Último lugar - Brasil e a restante América do Sul. As boas mangas da América do Sul sao como as bruxas. Dizem que las hay, mas a mim nunca me calhou nenhuma. E andar três semanas a tirar fios de entre os dentes nao faz mesmo o meu género.

irao


Ainda estou longe de conseguir perceber o que está a acontecer no Irao. Existe mesmo fraude? A revoluçao verde, como alguns já lhe chamam, é um fenómeno revoluçao-em-pó-com-nome-de-uma-cor-ou-flor no seguimento da laranja e semelhantes? Estamos demasiado predipostos a acreditar numa fraude?
Entretanto, encontrei motivos de suspeita bastante razoáveis aqui (via Der Terrorist) e continuo a ler sobre o assunto.