Thursday, July 10, 2008

esta casa está mal entrampincadrilhada


Temos de chamar o entrampincadrilhador, para a entrampincadrilhar melhor.


O meu primeiro livro sobre procrastinação (the Now Habit), não me ensinou a não procrastinar. No enntanto, explicou-me coisas que eu sabia e outras que eu ainda não sabia sobre a procrastinação, que, dando-me a perceber porque procrastino, me ajudam a procrastinar menos. Como tinha prometido dar-vos conta das novidades, aqui ficam algumas passagens muito verdadeiras:


People don't procrastinate just to be ornery or because they're irrational. They procrastinate because it makes sense, given how vulnerable they feel to criticism, failure, and their own perfectionism.(3)
When a perfect performance of the achievement of a specific goal becomes the sole measure of your self-worth, too much is at stake to just start working without some leverage, such as procrastination, to break the equation of self-worth=performance.[...]fear of failure stems from assuming that what you produce reflects your complete ability. [...]so, we procrastinate to avoid doing our best work and to avoid our own self-criticism.


[Procrastination] brings the deadline closer, creating time pressure, a higher level of anxiety, and a more immediate and frightening threat than even your fear of failure or of criticism for imperfect work. You might even feel more powerful at this point; after all, you balanced out your anxieties and made them work for you. You also escape the terrible equation of self-worth= performance by delaying enough so that you cannot be tested on your real ability - that is, what you could do if you had had enough time [51-53]

Eis uma boa explicação para a minha vida académica, nomeadamente para a minha tese na qual trabalhei dez dias, mudando de tema sensivelmente a meio e acabando com uma nota a duas décimas de excelente da qual poderei dizer toda a vida "sim, mas se formos a ver, para três dias de escrita...".

No meu longo caminho para escapar à inscrição "aqui jaz rita maria, que não fez nada de extraordinário, mas tudo em três dias", ainda me faltam muitos quilómetros, mas perceber exactamente porque procrastino (há mais explicações, se esta não for a vossa) foi definitivamente um passo em frente.
Falta soluccionar a dificuldade de trabalhar sem a criatividade que, mesmo a calhar, só me dá nos momentos de rush hour (isto é, os tais momentos em que a ameaça latente nos faz ultrapassar medos e hesitações).

Resumo: the Now Habit não é uma poçãoo mágica e provavelmente não usarei metade das técnicas recomendadas pelo autor. Mas é um bom livro para quem acha que começar pelas origens pode ser uma boa ideia.

Getting Things Done, o que estou a ler agora, é verdadeiramente um método. Quando acabar de lê-lo e de implementar as partes que me parecem fazer sentido, conto-vos.



8 intenções:

Anonymous said...

finalmente algo de importante nos blogues. vou continuar atento que isto interessa-me.
bjinho
alvaro

Helena said...

Aaah, tu estavas a falar de coisas importantes, como uma tese de doutoramento e assim.
Eu estava a falar dos adianços quotidianos - arrumo a mesa amanhã, limpo a casa de banho depois, telefono a fulana daqui a bocadinho. A minha vida vai mudar, começo amanhã sem falta.
Para esses é que funciona o truque: não pegar duas vezes na mesma coisa, não pensar duas vezes naquilo que se tem de fazer.
Ou então, adiar só um bocadinho: faço amanhã, first thing in the morning.

Quanto aos projectos de envergadura... depois dizes-me o resto?
Para já, estou bem como estou: não é procrastinação, é um lento trabalho de digestão dentro da minha cabeça, e no momento da adrenalina final tudo flui, num estado de quase nirvana.
Já não é trabalho de parto, é mais simples: como água a brotar da nascente.

Helena said...

Não tem nada a ver com nada, mas já foste ver o Cirque du Soleil?
Eu vou amanhã, à sessão das 13:00.

Fui adiando a compra dos bilhetes, nem te digo quanto me custaram!
Se não fosse os miúdos terem tido boas notas e um ano bastante difícil, a esse preço ficávamos em casa, e muita sorte!...

Em compensação, fui adiando o aluguer do carro para as férias em Portugal, e poupei 100 euros por ter feito à última da hora.
Isto é um mundo sem lógica.

Rita Maria said...

Eu falo de uns E de outros. Por exemplo, ontem a arrumar papéis encontrei um envolope com um cartão e um pequeno presente para o aniversário de uma amiga. Ela fez anos a 4 de Outubro!

Helena said...

Bem, esse é um caso típico de "só pegar uma vez naquela coisa". Já tens na mão? Não a largues, resolve-a já!

Rita Maria said...

Hoje fui mas é ao mercado de Winterfeldplatz...com a minha sorte, ainal é aos sábados...sniff!

Mãe said...

ENTRAMPINCADRILHADA!

Rita Maria said...

Também me estava a parecer um pouco facilitista...