Thursday, November 17, 2011

vai trabalhar, ignorante!

10 pontinhos muito rápidos sobre o famigerado vídeo da sábado



A revista Sábado foi para a rua fazer um vídeo com aquilo que a revista Sábado considera serem perguntas sobre cultura geral. E escolheu jovens universitários, para que no dia seguinte o país pudesse ficar chocado e fazer uso dos chavões do costume, que estavam a ganhar mofo nas gavetas com a conversa da crise: que tanta educação e depois não sabem nada, que é só gastar dinheiro, que antes isto não era assim, que escândalo, que burros, andamos nós a gastar dinheiro nisto.

Não quero gastar muito latim nisto, porque não merece mesmo, mas ainda assim quero dizer umas coisinhas:

1. Já vi vídeos deste tipo feitos nos mais diferentes países, com os mais variados níveis educacionais. A minha experiência diz que, em qualquer país, é fácil encontrar pessoas pouco cultas, ainda mais se estivermos dispostos a escolhê-las pelo aspeto e ainda muito mais se o vídeo não tiver de ser representativo da amostra. Em bastando escolher os mais "engraçados", aquilo faz-se em duas ou três horas. À atividade de se mostrar partes da realidade selecionadas com o propósito de demonstrar uma teoria anteriormente postulada pelo autor não se dá o nome de jornalismo - convencionou-se o uso do termo "propaganda".

2. Portugal é um país em que o Exame Nacional de Sociologia é um teste de cruzinhas. Isto são só exames, não são as aulas, é verdade, mas se tudo o que o Estado me quer ensinar sobre Sociologia dá para um teste de cruzinhas, é difícil espantarmo-nos se dois anos depois eu confundir o Max Weber com a Max Mara e o Karl Marx com os Marx Brothers.
O mesmo acontece com a arte, que só aparece na retaguarda nas aulas de História. De que me serve saber quem pintou a Capela Sistina se não sei o que terá ela de extraordinário? Se a apreciação da arte não vinha num teste de cruzinhas, agora querem o quê?

3. Outro dia, o Ministro da Educação disse que estava na altura de nos concentrarmos nas disciplinas essenciais.

4. Uma das coisas mais extraordinárias dos últimos anos em Portugal é o facto de terem chegado às universidades, com enorme esforço dos pais, jovens que foram os primeiros da sua família a acabar o secundário, os primeiros da sua terra a frequentar uma universidade. Curiosamente, as conversas ao jantar lá em casa não versavam sobre a Capela Sistina, os diários de referência não eram uma companhia habitual e as tardes passadas no Centro Cultural de Belém não eram o programa de domingo mais frequente.

5. Comparados com a anterior geração de universitários, estes jovens sabem menos - é perfeitamente natural. As elites continuam lá, não se apoquentem que não foram a lado nenhum. Mas já não são a maioria.

6. Outro dia, questionado sobre os direitos dos trabalhadores na Assembleia da República, Álvaro Santos Pereira respondeu "Eu sei o que se passou em Cuba e na União Soviética". Passou no teste de cruzinhas, decerto, mas com debate político deste nível, alguém se espanta com os jovens que dizem que não gostam de política? É isto a política, estes debates superficiais recheados de cretinices e indiretas? Então eu também não gosto: deixa-me mal disposta e insulta-me a inteligência.

7. Repito-me, mas raramente uma única geração foi tão ridicularizada de cada vez que tentou tomar uma posição política. Que ainda existam entre eles jovens que se interessem por política, é um verdadeiro prodígio.

8. Também outro dia, alguém veio sugerir menos informação no serviço público de televisão. Trata-se de alguém que frisou que uma coisa "não tinha nada haver" com outra e que tinha grandes dificuldades em perceber a distinção entre um órgão de comunicação ser do Estado ou "do Governo" (tenho de encontrar estas declarações).

9. As perguntas escolhidas são muito curiosas e muito típicas de um país onde é considerado gravíssimo não ter lido o último Houellebecq mas perfeitamente normal desconhecer o conteúdo da(s) teoria(s) da relatividade, a localização das placas tectónicas ou falar do "símbolo químico da água". Somos muito humanistas, é o que é.

10. Eu também tive de ir ver quem tinha sido O Padrinho. Vi o filme, mas não me lembrava. Vou ali sentar-me no cantinho a pensar porque é que isso é grave.

Honestamente, sem fazer um grande esforço, eu não tenho vergonha do país que vi naquele vídeo. Não me preocupam as comparações com as gerações anteriores - basta-me ver a evolução da taxa de analfabetismo para dizer sem medo que há 20 anos o conhecimento dos portugueses sobre a Capela Sistina não andaria muito melhor. Tenho muito orgulho nos saltos que a Educação em Portugal deu nos últimos anos, especialmente na sua democratização e no seu alargamento. Tenho vergonha de quem se aproveita das fraquezas de uns quantos para fazer pouco de uma geração inteira. Estou cansada do discurso do ódio. Preocupa-me muito que o nível do discurso na Assembleia da República não seja fundamentalmente distinto do que o vídeo mostra. E repugna-me que uma organização jornalística produza um vídeo tão demagógico. Mas não tenho vergonha deste país.

Update: Entretanto fui ler o texto que vinha com o vídeo, que o ultrapassa no ódio, na arrogância, na sobranceria e na falta de nível. Fiquei a saber de onde vinha a agressividade do jornalista, é que ele não tinha frequentado um curso universitário. Ou, se tinha, não foi jornalismo. Eu tive jornalismo na faculdade e nenhum dos meus professores deixava passar aquilo. Nunca. Jamais.

121 comments:

  1. Olha concordo com tudo o que disseste e ainda vou colocar aqui uma outra que foi o meu comentário no blog da Luna:

    "Apesar de achar estranho errarem algumas, temos que ter atenção a outra coisa:

    Mesmo perguntas fáceis, podem não estar na nossa memória a curto prazo e nem ser facilmente activadas se estiverem armazenadas.....

    por exemplo eu demorei um bom bocado a lembrar me do nome do fundador da Microsoft, e estava a ver a cara dele e tudo mas o nome não surgia... surgia-me o Bill, o Bill... (porque ao pedirem o nome não são activadas associações semânticas nem de contexto que ajudam à recuperação bla bla bla coisinhas de psicologia chatas e difíceis e que não interessam nada agora....)

    por isso tenham calma aí com o choque. A nossa mente é um mundo...."


    Espero que não te importes =)

    (estou neste momento a ouvir os meus colegas todos a dizerem "que vergonha, que vergonha"; eu só penso se lhes fizesse outras perguntas e cultura geral se respondiam bem e prontamente...)

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  2. Importo agora, eu não tinha apanhado a distinção que ela apanhou mas foi muito bem apanhada e é muito típica, por isso é que a linkei ali em cima.

    (sobre os teus colegas, isto com umas cinco, seis horas faz-se um inquérito básico por entre a classe jornalística e eu pessoalmente ficaria muito espantada se não se descobrisse uma paixão súbita pelos violinos de Chopin)

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  3. Mais uma coisinha, eu juro que já tinha visto este mesmíssimo vídeo antes. Posso estar enganada, até porque não vi tudo (enervam-me estas coisas).
    Parece-me uma polémica encomendada. (Ui as teorias da conspiracão!) Duas ou três pessoas lembram-se que é giro criar polémica e conseguem, mesmo que não seja coisinha fresca. Mas não posso provar nada do que disse até porque não me apetece.

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  4. Estou de pé a bater palmas (pronto, não estou, mas imagina). Era um beijo na boca já. Fico possessa com estas tretas, estes sound bytes, estas não questões.

    E quanto ao Padrinho, são três filmes, tanto se pode falar do Marlon Brando (Don Vito Corleone) como do filho (Al Pacino, Mike Corleone, que lhe sucedeu), e pelo meio ainda há lá mais, que para cada família há um Padrinho, ou Capo di tutti capi (espero ter escrito bem, reconheço que italiano e seus plurais não faz parte da minha cultura geral). Ou seja, é uma pergunta que nem é sequer rigorosa.

    E pronto, se é este o jornalismo que temos em Portugal, ninguém pode bater aos jóves.

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  5. Odeio estas batalhas de egos....

    É triste e snob e mesquinho.


    E o texto do jornalista está tão foleiroso e parcial. Cada vez tenho menos respeito pela classe =/ (sim, sim, generalizo)

    p.s. Eu gosto do filme O Padrinho e li o livro e também não me lembrava do nome do senhor. Grave grave =p. Vou dar palmadas às minhas redes associativas =P

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  6. E já me esquecia do Robert de Niro, Don Vito no filme dois da saga.
    Tenho de puxar galões com este tema, canudo, que já vi os filmes mais vezes que devia ;)

    Enfim, palermices da imprensa tuga.
    E a propósito do teu post, já estava a estranhar que não te pronunciasses sobre o mal afamado relatório relativo à RTP (a bem da nação)

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  7. É que ainda não o li e não me estava a apetecer falar dele assim, mas depois valores mais altos se aurlebantaram, como se diz na minha terra ;)

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  8. @Espiral, há um texto? Eu graças a Deus só vi o vídeo.

    PS: eu também gostei do Padrinho (só do filme, não li o livro), mas gostei de tantos filmes cujas estrelas não sou capaz de nomear...

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  9. http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop--A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx?id=411304

    Está logo debaixo do vídeo.

    Sim, exactamente e não te lembrares disso não prova rigorosamente nada.... =)

    (Gostava de saber quem escolheu as perguntas e qual foi o critério...; já agora quem é Houellebecq? "Devia" saber? lol)

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  10. Claro que devias, ó sua burra ;)

    PS: Fui ler o texto entretanto (e atualizar o post). Aquilo é coisa para perder a carteira de jornalista, quebra umas 525 regras deontológicas e, profissionalismo à parte, é nojento. Ainda bem que nunca comprei uma Sábado.

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  11. Rita, não posso deixar de concordar contigo. O mesmo não se passa só a nível da educação mas também termos de saúde. Mas mais do que palrar não há nada como ver a diferença entre o bons velhos tempos onde a educação era reservada às elites e a realidade - socialmente mais justa - de hoje: www.bit.ly/rH4hAS

    O gráfico mostra a evolução do número mediano de anos passados na escola para mulheres com mais de 25 anos. De 1971 a 2009 (último ano com dados disponíveis) o número de anos passou de 2 para quase 8. Nem é necessário extrapolar o impacto de tal mudança na sociedade portuguesa. Os dados foram compilados pelo Institute for Health Metrics and Evaluation.

    É claro que há ainda muito a fazer, mas não é isso super excitante? Imagina viver numa sociedade acabada.

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  12. Também já li o artigo, e estou profundamente desapontada por não incluir a morada e nº de telefone dos entrevistados.
    Não perdes nada em não ler a Sábado, acredita. Deixei de a comprar por serem 3 euros mais bem empregues noutra coisa qualquer.
    De todas as perguntas que vi, só me impressiona um bocadinho haver muitos que não sabem quem escreveu os Maias (no meu "tempo" era matéria obrigatória de Português, em qualquer área; se entretanto foi retirado, este comentário perde valor).

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  13. A minha parte favorita é quando o jornalista refere, com asco, que a jovem preferia fumar a responder às perguntas dele. Que chocante! Em vez de se aperceber da honra, do desafio, da fantástica oportunidade de conversar com uma abécula daquelas....

    PS: Izzie, os Maias são dados na escola, mas há tantas perguntas sobre o simbolismo das roupas da Maria Eduarda que eu acho que continuar a gostar deles também é um ato de resistência. Eu consegui, mas foi porque já ia aí na quarta leitura e pude ignorar as sebentas ;)

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  14. Eu não consigo ter, sequer, uma palavra a dizer a este respeito depois de ler o teu post. Certeira e correcta, como sempre.

    (E cada dia que passa me "apaixono" mais pela Rita Maria!)

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  15. Tive ums s'tora de português (10º e 11º ano) para lá de espectacular, e que não se perdeu nessas minudências. Fez-me apreciar imenso Os Maias, e li mais Eça depois disso. Antes, nem me aproximava (verdade) Abençoadinha s'tora, amava-a muito :')

    (a Dorushka quer ser mais uma no teu harém platónico :D)

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  16. A minha, verdade seja dita, também era bastante boa, mas depois pus os olhos nas sebentas dos exames... mas a culpa não era dela. Uma vez, estavamos tão embrenhados numa discussão sobre um poema que na aula seguinte não fizemos mais nada. E no decorrer dessa discussão, várias pessoas (eu incluída) mudaram de opinião, sem ela fazer nada senão deixar-nos discutir e interpretar....

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  17. Izzie, a questão aqui é que eu li "centenas" de posts e comentários relativos a este assunto e queria também deixar a minha opinião, mas estava com dificuldade em exprimir-me, e depois chego aqui e dou de caras com a "minha" opinião. E não é a primeira vez que isto acontece.
    Por isso, como é que é possível não me "apaixonar" por alguém que pensa exactamente o mesmo que eu, mas que tem tanta esta facilidade toda em exprimir-se?

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  18. Estava a brincar, Dorushka, porque senti o mesmo. Já somos duas in love ;)
    O que este questionário prova é que os entrevistados davam maus parceiros no Trivial, e só.

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  19. Lembro-vos minhas queridas, en passant, que estamos de acordo muitas vezes e sabe muito bem e tal e tal, mas no meio das minhas pernas não há muito com que vos alegrar. Não é falsa modéstia, mas...

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  20. Não podia concordar mais. Um exemplo de falta de seriedade e manupulação da amostra.

    Por outro lado, aposto que o senhor jornalista também não sabe quem descobriu as vacinas, e qual a primeira a existir, que é só a descoberta de maior impacto na história da medicina até hoje (aliás, há uns tempos uma médica falhou esta pergunta num quem quer ser milionário). E será que tem na cabeça quem descobriu a estrutura do DNA?

    E quanto ao padrinho, veio-me primeiro à cabeça o Al Pacino, já que há 3 filmes, e apenas num aparece o Marlon Brando.

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  21. Eu não concordo contigo, pelo menos não inteiramente. É certo que nesse vídeo (eu só vi o vídeo) estavam perguntas que não são de todo perguntas de cultura geral básica (como é o caso do actor de O Padrinho, que eu também não sabia quem era). Agora acho que 90% das perguntas eram básicas e que um papel destes envergonha uma geração. É certo que aquela amostra não é fidedigna da realidade. Eu sou daquela geração e não me identifico, nem conheço ninguém que se possa identificar, com uma coisa daquelas. Mas é bastante representativa sim, muito mais do que aquilo que se pensa.

    Eu também venho de uma família onde fui das primeiras pessoas a ir para a universidade. Cresci num meio pequeno onde, apesar de os meus pais me terem proporcionado tudo, acabava por estar condicionada às características desse meio pequeno. Ainda assim, ainda que não tivesse todos os meios, sempre procurei mais, sempre me mantive informada e a par de quase todos os temas. Portanto isso não é, de todo, uma desculpa aceitável para a falta de cultura.

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  22. Ai Rita, Rita... olha que nunca se sabe.

    Entretanto, acho que a Izzie resumiu extremamente bem a coisa, estes putos espalhavam-se ao comprido no Trivial cá com uma pinta!

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  23. OK, agora quero saber quem descobriu as vacinas (foi o Pasteur? não tenho certeza).

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  24. só o facto de se ter uma câmara e um microfone apontado à cara já faz esquecer muita coisa...

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  25. Oh Izzie o Pasteur "descobriu" a pasteurização, pá! O nome diz tudo ;)

    Agora a sério, que responda quem sabe.

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  26. Pois, é o que toda a gente diz sempre.

    Não, Jenner, que descobriu que o contacto com cowpox (varíola bovina) protegia contra smallpox (varíola).

    (geralmente nao há uma review sobre vacinas que não comece com uma menção ao Jenner)

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  27. @Izzie Eu também foi agora ali à Wikipedia como quem nao quer a coisa...mas e o último Houellebecq? Bem bom!

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  28. Nunca li Houellebecq, mas sei o que sao liposomas, ok?

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  29. ah, e aposto que nao sabem de onde vem a palavra vacina...

    (uma ajudinha, tem a ver com a primeira vacina)

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  30. Fui à wiki ver quem diabos é o Houellebecq, fiquei mais ou menos na mesma, mas pronto :D
    Já apontei mentalmente: Jenner (Pasteur é por causa da raiva, pá!)

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  31. @Maria.
    As pessoas são responsáveis por si mesmas, mas também são produto da sociedade em que vivem. Individualmente, eu direi à minha irmã Vitória que devia saber quem é a Angela Merkel, e que se esforce. Mas se quiser fazer comentário social (já nem digo jornalismo), penso em muitas outras coisas - porquê o desinteresse, de onde deveria ter vindo a informação, o que é essencial e o que é acessório?

    Lendo o texto daquele senhor, vai ali uma agressividade tal, que posso dizer sem sombra de dúvida que ele encontrou aquilo que procurou.

    Era difícil de encontrar? Não, se calhar não era. Mas isso é assim tão estranho num país com o nível de vida do nosso, com os nossos hábitos culturais, com a evolução da educação que mostra o link do macaco zarolho?

    Sim, eles podiam ter ido todos procurar, preocupar-se com a sua própria cultura geral, percebido sozinhos que se calhar havia ali, na Capela Sistina, qualquer coisa que valesse a pena investigar. Mas saber quem a pintou só por saber, para quê? Para fazer figura no Trivial? Isso é cultura?

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  32. Não sei de onde vem a palavra vacina nem o que raios é um liposoma. Sou burra :(

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  33. E é preciso uma desculpa para a falta de cultura?

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  34. A questão da Angela Merkel acho que tem a ver com a pergunta: quantas pessoas sabem o que é um chanceler? Só em Ciência Política, na faculdade, aprendi isso.

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  35. Eu só li um Houellebecq, mas também sei o que é um liposoma. Vá, assim mais ou menos...mas sou forte no DNA mitocondrial (enfim, forte para leigos). E também sei a da estrutura do DNA e ainda me lembro que bases namoram umas com as outras.

    Já vacinas, zero...

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  36. Prontos Izzie, eu sei que tu queres saber: vacina, ou vaccinia, deriva de... vacca (cow - vaca - vacina). :)

    O que eu quero dizer é que o que certas pessoas acham óbvio, nao o é para outras, como por exemplo a pergunta do padrinho. E eu acho mais importante saber qual a primeira vacina e em que consistia, do que o actor de um filme.

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  37. Luna, já provei num comento ali para cima que a pergunta do Padrinho nem é fácil nem tem uma só resposta. E por isso é intelectualmente desonesta, tal como a do símbolo químico da água e por aí fora. Aliás, como estudo que pretende ser demonstrativo de qualquer coisa, isto é desonesto e ponto.

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  38. Ó Izzie, e a graça que tinha testar numa redação de política nacional o conhecimento sobre ciência política?

    PS: Vacinas de vacum?

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  39. Ó bolas, vou atrasada. Logo agora que ia acertar nalguma coisa!

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  40. Só para deitar mais umas achas para a fogueira, deixo aqui uma questão que, para mim, é pertinente, mas que não sei se terá interesse para mais alguém:
    O que é cultura geral?

    Eu já tive algumas vezes esta discussão com o meu marido, porque ele fica muito admirado quando me fala de certas coisas que para ele são banais e eu pareço um burro a olhar para um palácio. O que eu lhe respondo é que o termo cultura geral é muito abrangente e que o seu significado é diferente de pessoa para pessoa, e que depende muito, não só da educação e do meio socio-económico em que foi educada, mas também da sua profissão e dos seus interesses.

    Eu posso não fazer ideia de quando onde e como surgiu a primeira vacina, posso não ter lido Houellebecq, posso até nem saber quem é o Ministro da Economia, mas isso faz de mim burra e ignorante, ou mesmo inculta?

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  41. Palminhas e já me multipliquei em tantos comentários sobre o mesmo assunto que meti o teu post no facebook como conclusão mais do que bem escrita ao caso.

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  42. O que é cultura geral? Boa pergunta. O meu sobrinho de 6 anos ficou chocado porque eu não soube distinguir um braquiossauro de um brontossauro. É só um exemplo.

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  43. Izzie
    E é um excelente exemplo, acrescento.

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  44. @Doruschka Chega pra lá, eita pergunta difícil!

    Sei lá eu. Um bocadinho equilibrado de todas as disciplinas do conhecimento a juntar àquelas sobre as quais por as teres estudado ou trabalhares nelas ou te interessarem ou interessarem os teus pais?

    E o que é um bocadinho? Não é mais importante perceber o que se passou no Renascimento do que quem pintou uma obra específica, por exemplo?

    Mas se é um bocadinho de tudo, eu por exemplo sou incompletíssima.
    Percebo pouco de música, nada de poesia portuguesa contemporânea, zero sobre zoologia e nada sobre vacinas, mas sei a diferença entre diferentes oitos de escalada (!), percebo imenso de mórmons, sou capaz de falar horas sobre a Transnístria, sei quando há batatas novas e faço um gumbo de camarão supimpa. Em termos de cultura geral, sou o quê? Mediana, no máximo.

    Mas felizmente não acho que precise de desculpas. De aprender sim, de desculpas não.

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  45. @Izzie, um braquiossauro? Por amor de Deus! (e manter o respeito da minha irmã Vitória depois de lhe garantir que a pés juntos que ela estava era maluca, claro que não havia pinguins na África do Sul? Ah pois!)

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  46. Rita, é mesmo uma pergunta difícil, porque não há uma resposta correcta. É por isso que eu me passo com o outro quando me diz "Não sabes? Mas isso é cultura geral!". Geralmente respondo-lhe que aquilo deve ser cultura geral na terra dele, que na minha nunca se ouviu falar disso. É que se há coisa que é relativa, acho eu, é a cultura geral.

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  47. Olhem, ou muito me engano, ou se eu fizer aqui ao Koen (meu colega génio) as mesmas perguntas, provavelmente ele também falhará algumas respostas. E no entanto sabe construir fluorímetros que detectam à luz do dia just for fun, já tem uma patente, e fabricou microneedles tao finas que podem injectar drogas no cérebro sem danificar.
    Mas nao garanto que saiba onde fica a capela sistina.

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  48. @Rita, um braquiossauro é um dinossauro muito parecido com o brontossauro. Eu não sou burra, sou pouco perspicaz ;)

    (o puto respira bichos, é impressionante)

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  49. Ocorreu-me uma definição operativa de cultura geral...foi a pensar no jornalista. Aqui vai:

    "Conjunto de factos que eu sei e que penso que são absolutamente básicos e que é um escândalo que alguém desconheça"

    Já "detalhes", "coisas intelectualóides" e "preciosismos de nerd" são:

    "Conjunto de factos desconheço e que penso que são absolutamente dispensáveis e que a vidinha sem eles também funciona muito bem"

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  50. Sempre houve e sempre havera em todas (estarei a generalizar demasiado?) as partes do mundo, alguém a dizer que no meu tempo é que é e que os jovens de hoje são uma vergonha. Devemos fazer parte de uma espécie que se auto-assegura com o mal dos outros. Uma boa evolução para o homo sapiens seria valorizar o que o outro sabe.
    E a protecção de imagem deste jovens ? Bom dia trauma.
    Seja como for fiquei com vontade de partilhar este teu texto pelas redes-sociais-sem-espirito-critico fora. Posso ?

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  51. Sempre houve e sempre havera em todas (estarei a generalizar demasiado?) as partes do mundo, alguém a dizer que no meu tempo é que é e que os jovens de hoje são uma vergonha. Devemos fazer parte de uma espécie que se auto-assegura com o mal dos outros. Uma boa evolução para o homo sapiens seria valorizar o que o outro sabe.
    E a protecção de imagem deste jovens ? Bom dia trauma.
    Seja como for fiquei com vontade de partilhar este teu texto pelas redes-sociais-sem-espirito-critico fora. Posso ?

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  52. Tinha acabado de ver a notícia quando tumbei aqui. Não vi o vídeo (agora não posso, nem penso que valha a pena, porque já estou a ver o que é o conteúdo).

    E concordo com tudo o que disseste. Quem me dera a mim ter a eloquência necessária para colocar assim as palavras. Esta notícia irritou-me muito. Até porque não é notícia nem é nada: quando muito, é opinião. Basear uma afronta tão forte numa estatística tão fraca é um absurdo que deveria saltar logo à vista: então falam-me dos "universitários" do país quando as entrevistas incidem num universo de 100 (cem!) pessoas de uma (uma!!) universidade? Isso é um estudo? Isso é demonstrativo do nível de cultura de um país? Quando muito, estas "estatísticas" (e até me dói chamá-las assim) só servem para corroborar a opinião de quem escreve e - roubo-te a expressão - continuar com o argumento do ódio.

    Acrescento ainda: o autor, muito certamente, nunca pôs os pés numa universidade (ou numa instituição de ensino superior qualquer, diga-se). Se nunca frequentou, pelo menos podia ter feito um estudo decente e ter ido a uma dessas instituições ver o que se passa lá dentro. Para verem o que é o ambiente académico a sério e ficarem a perceber que aquilo não está cheio de jovem que não querem saber de nada. Há-os, porque há pessoas que não querem saber de nada em todo o lado. Mas que não me digam que há disso, como infelizmente tentam dar a entender.

    E o facto de muitos serem os primeiros da família a ter direito a um ensino com mais de 7 anos também diz muito. Se o ambiente em casa não é de promoção da cultura geral, estão à espera que ela caia do céu? Aprendi mais sobre "treta" no Quem Quer Ser Milionário do que propriamente nas conversas corrompidas pelos mídia que passavam em casa.


    Isto já está a ficar comprido, mas ainda continuo e virando um pouco mais para o caso pessoal: eu estudei engenharia. Preciso de saber quem é O Padrinho? Não, que horror! Nem nunca vi O Padrinho! Também não preciso de saber quem é que escreveu livros que nunca li. Oh, que inculta, como é que é possível? Religião só sei porque fui obrigada a aprender, mas não vejo porque é que alguém tem de levar na cabeça por não saber algo que me parece tão opcional quanto isso. Não andamos aqui a aprender os nomes de todos os deuses Hindus (mas, pelos vistos, dizer que não se liga a religião não é desculpa - devíamos todos saber os nomes de tudo quanto é mito que já cruzou este mundo e pronto).

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  53. @Carla Podes tudo o que quiseres, claro!

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  54. Rita, uma coisa que não tem nada a ver (ou será a haver? ai, não sei... ajuda-me) ou, se calhar, até tem:
    Não quero gastar muito latim nisto, porque não merece mesmo, mas ainda assim quero dizer umas coisinhas...
    Isto era para rir?

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  55. @Wapy
    De acordo e não. Eu acho que nós não precisamos só da informação de que precisamos diretamente, há coisas que devemos saber para termos opinião sobre outras, se quisermos. Acho que saber umas coisas da Bíblia dá jeito quando quero ter uma opinião sobre a cultura ocidental ou perceber algumas piadas e que História dá jeito quando quero ter uma opinião sobre política. E até acho que tenho uma certa obrigação de cidadania de perceber alguma coisa de política.

    E acho que mais cultura sobre mais coisas nos desenvolve as ideias e nos torna mais capazes de olhar para o mundo de forma crítica, o que me parece fundamental porque as fontes de informação são cada vez mais e cada vez mais irregulares . Por isto tudo é que acho que deve haver um ensino obrigatório alargado e abrangente que prepare as pessoas até menos para a faculdade e mais para a cidadania.

    Isso é uma coisa.

    A outra é achar que as coisas que eu sei são a medida do que as pessoas devem saber, como faz o jornalista, e demonstrar que não sabem humilhando uns quantos badamecos que encontrou à porta de uma faculdade. Que necessidade patológica é esta?

    Até porque a reação que isto provoca nunca é positiva, o ódio nunca foi boa pedagogia.

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  56. @Doruschka Antes de acabar o post eu não sabia que ia ficar assim comprido. Acho sempre que é desta que vou resumir em três linhas tudo o que quero dizer :)

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  57. Beem, uma pessoa distrai-se por umas horas e chega tão tarde mas tão tarde, que já não tem nada de jeito a acrescentar, excepto:

    CLAP, CLAP, CLAP,
    Eu junto-me ao harém
    Eu percebo muito de pouca coisa e pouco de muita coisa.Isso faz de mim o que? Se me perguntarem muito do que sei pouco: bronca. Easy.

    Isto não é jornalismo; é uma vergonha.

    Que bom haver sítios onde posso ler umas ideias interessantes e discussão elevada. Tens uma bela cabeça e uns grandes leitores (me excluded que chego tarde e não digo nada de jeito).

    E prontoSS, era isto. Bj

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  58. @Rita Compreendo perfeitamente :)

    Talvez eu não me tenha explicado bem: não digo que não haja valor naquilo que não é obrigatório. Pelo contrário. "Um médico que só sabe de medicina nem de medicina sabe". Agora, acho que é de uma tremenda injustiça catalogar imediatamente as pessoas que não tenham o conhecimento na ponta da língua de "incultas".

    E então com os exemplos de "cultura geral" que são mostrados aqui como coisas que todos devemos saber... Não me cabe na cabeça.

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  59. @Tuxa Essa dos grandes leitores é uma grande verdade. Já mudei muitas vezes de opinião à custa dos leitores deste blogue e já aprendi mesmo, mesmo muito, e tive milhentas discussões muito interessantes. Isto para nem falar do que apoio durante a espera do doutoramento ou do que vou engordar à custa das recomendações dos pastéis de nata :)

    @wapy Vai mas é ver o Padrinho, pá! ;)

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  60. (e agora eu ia trabalhar?)

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  61. Eu preferia achar que se eles fizeram aquela compilação é porque a maior parte respondeu assim, senão mostravam como apanhados no fim da reportagem, não? (gostava de continuar a acreditar no jornalismo...)
    Eu pessoalmente também não sabia quem tinha sido "o Padrinho", mas conheço muito boa gente que não saberia responder a muitas delas. É muito comum, e apesar de não entender a falta de interesse das pessoas em sabê-lo, acho toda a sociedade culpada pela situação, porque não o "exige".

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  62. Miss Pipeta, eu se calhar também defendia o benefício da dúvida, mas uma pessoa vai ler o texto....não foste pois não?

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  63. Eu acho várias coisas:
    1. Isto é uma notícia da treta para pôr toda a gente a falar da tal revista. Aliás, de onde veio a polémica blogosférica, quem é que lançou fogo?
    2. Depois, um pouco como os liposomas da Luna, que na minha faculdade eram lipossomas, quem é de ciências sabe os constituintes duma célula desde o 10º ano, pelo contrário não percebo nada de amortizações e taxas de juro e o abc da gestão, ao contrário do meu irmão.
    3. Cultura geral tem o meu pai e os da geração dele que tinham que decorar (ai aprender, desculpem) todos os rios, onde nascem onde desaguam, todos os caminhos de ferro, as serras e o diabo a sete, o nosso país é Portugal!
    4. Lembram-se do programa Sabes mais que um miúdo de 10 anos? Quantos sabiam? Eu não sei, mas vi aquilo umas 2 vezes e ficava-me logo pelas primeiras rondas.
    5. Como em todas as gerações que passaram e as que virão há uma descrição perfeita: VELHOS DO RESTELO.
    6. Quanto aos licenciados, deixo-me pelo comentário no post anterior a este.
    Agora vou ao Balance que estas costas têm que ser trabalhadas para pagar a reforma desta gente toda.

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  64. Não se pode fazer um like no FB, mas eu vou ao meu dizer que "laiquei" este, com um link.

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  65. Anonymous4:09 PM

    Em geral concordo com tudo o que dizes, por outro lado também consigo perceber a surpresa de quem observa que os universitários portugueses desconhecem algumas coisas básicas, (pondo de lado já o que é cultura geral, saber quem é a angela merkel, ou a fórmula-e não símbolo como se pergunta- química da água, parece-me cultura geral).

    O que para mim é mais interessante, que não se discute, mas que implicitamente se vai assumindo, é o desencontro entre o que é esperado dum universitário e o que ele de facto sabe. E aqui vem o problema político (again) da questão. Para além de se ter, e muito bem, democratizado o ensino a tudo e a todos ( e por favor parem com os exemplos pessoais, "eu consegui por isso toda a gente consegue", como se isso dissesse algo do país ou do sistema de ensino), transformou-se o ensino para o emprego. Enquanto antes a formação visava a formação de cidadãos e de técnicos, agora só interessa o lado técnico (e mesmo esse...), como querem então que saibam aquilo para o qual não estão preparados?

    Depois, outra coisa que já disseste, se o sistema valoriza os gajos que mais correm e as gajas com as mamas maiores porque hão-de os jovens aprender factos de cultura geral? Não têm incentivos sociais nenhuns para isso.

    Por fim, quando se quer tirar alguma conclusão sobre um determinado grupo, usam-se dois grupos distintos, o que tem uma determinada característica e outro que não a tem, comparam-se os resultados dos dois grupos, para ver se há algum efeito dessa característica. Assim sendo, façam as mesmas perguntas a "velhos" que tenham sido universitários; ou então façam-no a jovens que não sejam universitários e aí comparem as respostas. Vejamos as brilhantes conclusões.

    De qualquer dos modos, isto não deixa de ser revelador da população e do país (e não só dos universitários) que temos, e nessa medida é triste.

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  66. @margarida O problema é que estes velhos do restelo têm no máximo 35 anos...se calhar deviam era ir todos ao Balance. Tu faz mais uma horinha, a ver se eles se reformam mais cedo. Entretanto sobre o coup publicitário: toda a razão. Bolas, e uma pessoa aqui a ajudar.

    @Vítor Obrigada (pela laikadela). Hoje, à custa deste post, até acho que estamos a ficar melhorzinhos nisto da solidariedade inter-geracional :)

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  67. @Anónimo assino muito por baixo dessa questão do ensino para o emprego e não para a cultura ou para o conhecimento. Até porque os empregos mudam todos os dias, já a capacidade crítica dá sempre jeito.

    E também há coisas que são fundamentais, mas como dizia há bocadinho no blogue da Luna, tenho dificuldades em encontrar, jovem ou não, alguém que saiba o que faz a Comissão Europeia, quem a escolhe e em quê que os seus poderes diferem dos do Parlamento ou dos do Conselho. Não sabendo isto, de que serve saber quem é o Presidente?

    E se souberem isso tudo, aguentavam a situação atual em que parece que é tudo uma fantochada?

    Enfim, esta última parte já não faz bem parte desta discussão...

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  68. Ele há dias em que dava tudo para não me lembrar quem é o Presidente da Comissão Europeia, até porque se havia prato que apreciava e entretanto deixei de comer com o mesmo apetite é a massada de cherne.

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  69. Anonymous4:50 PM

    Uma outra coisa que penso muitas vezes a este propósito é o sonho que durou gerações e gerações, o primeiro que me lembro de ter este sonho foi um dos filósofos gregos, não me recordo qual, de ter uma população com educação, uma população que na sua maioria tivesse passado pela escola. E foi com base nesse sonho que aqui chegamos, com base no sonho de podermos ter gente capaz, com espírito critico e capacidade de pensar, e eis-nos aqui chegados. E agora? Agora, como sempre, na vida pessoal e na história, a realidade não é nada daquilo do que julgámos que viesse a ser.
    Uma das mais poderosas e unânimes ideias da história, uma população com educação é uma população mais culta e capaz, cai com um sopro. Não é a educação que faz a população culta, é outra coisa qualquer. São as preferências dos grupos, é o que é valorizado socialmente, é o espírito social do grupo, não é a escola. Por alguma razão nos meios fabris dos meados do século XX apareciam verdadeiros intelectuais que antes de entrarem nas fábricas eram analfabetos, o espírito de revolta político, a valorização do papel do intelectual e da leitura, o apoio para a aprendizagem nos companheiros levava a um progresso brutal nesses operários. Para quê a escola?

    Querem um povo educado? Tomem a tv pelas armas...

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  70. Não sei, às tantas conheciam o seu Marx, o seu Proudhon, mas a Capela Sistina...

    Eu acho que há três caminhos essenciais que podem ser percorridos antes de tomar tudo pelas armas:

    1) Valorizar o espírito crítico nas aulas, fomentar a discussão, a discórdia e a procura de argumentos. A minha irmã Vitória teve outro dia a sua primeira aula de Filosofia - não fosse o caso de não me dar jeito agora ser presa, tinha ido lá esganar o homem. Há lá idade mais propícia à Filosofia que a adolescência? Mas ele matou-lhes logo ali a vontade de pensar. Também apanhei um desses, a minha sorte foi que no meu caso já ia tarde.

    2) Promover, como sociedade, o acesso à cultura. No caso da juventude e das famílias, é também uma questão de preço, mas não é só, não faltam pessoas a pagar cem euros pela Madonna, é muito uma questão de desmistificação. Se não fossem as nossas luminárias convencidas da superioridade e complexidade da SUA cultura, eu não precisava de gastar 3 horas de conversa para convencer os meus irmãos a tentar a ópera. Se não insultassem quem não leu os Maias, também era menos difícil levá-los a passar do Twilight às bengaladas ao Dâmaso. Lembro-me de uma aula do Prado Coelho sobre Cultura Contemporânea em que insultou uma turma inteira de 90 pessoas por lhes faltarem as referências que ele considerava fundamentais - até eram umas que eu tinha, mas fiquei tão zangada. Agora é que aquelas pessoas nunca mais iam pegar naquilo...

    3) Promover, como sociedade, o acesso mais natural dos jovens à cultura: fazê-la. O acesso mais natural à política: fazê-la. O acesso mais natural à ciência: experimentá-la. São idades em que o cérebro é fértil que é uma coisa louca, só o atrofiamos porque nos esforçamos mesmo muito.

    Acho que havia mais qualquer coisa, mas entretanto esqueci-me...por onde se nota que o meu cérebro claramente já não está naquela idade.

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  71. (o meu cansaço também se deve notar na repetição de ideias e na estruturação das frases. Nem vou ver para não me assustar, mas peço desculpa!)

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  72. Rita Maria,
    Antes de mais, formo com a Izzie e com a Dorushka o trio de adoração/veneração/amor platónico/board of directors do clube de fãs "Rita Maria". Depois digo-te que pasteis de nata são os das minhas tias, nham nham, que provarás quando mais a norte.
    Ena pá, gostei mesmo deste post, em particular do comentário ao background cultural da malta, que me tocou bem de perto: eu também fui a primeira da família a ir para a universidade (a minha mãe só terminou o 12.º já eu estava quase no fim do mestrado), e em cuja família se dizia "eu foi", "tu fizestes", e "desarisca", coisa que eu nem sei se se escreve com "z" e depois com "rr". Ainda hoje penso que a minha falta de interesse e de entendimento da política advém de lá por casa não se lerem e/ou discutirem jornais, notícias, e etc.
    O que acho de bradar aos céus é a aceitação da imbecilidade, o abraço da estupidez, a falta de curiosidade. Não sou das que acha que todos devem ser doutores e engenheiros, afinal alguém tem de descascar batatas ou lavar os pratos (pelo menos metê-los na máquina), mas deve haver paixão pelo saber, qualquer que seja.
    Já agora, também não sei o que é um liposoma e, tal como a Izzie, não sabia de qual padrinho estavam a falar (eu vi e li e vi e reli e treli o Mario Puzo).
    De qualquer forma foi entretenimento, o vídeo. E uma preparação para o que vou encontrar no segundo semestre. É que, desenganem-se, esta amostra é bem mais reflexo da população do que pensam (eu serei eu que tenho tido maus alunos...).
    Bolas, isto vai longo. Sumário: gostei. Merci!
    Um sorriso apaixonado!

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  73. @Maria: só um achega. eu venho de um sítio onde os jornais diários só chegavam no dia seguinte. com mau tempo podiam até chegar com uma semana de atraso. Eu venho de um sítio para onde não eram enviados livros e onde as películas para o único cinema que havia nem sempre chegavam no mesmo ano em que eram estreados nas principais cidades do país. eu venho de um sítio onde a rtp1 só chegou tinha eu 14 anos.
    é fácil, muito fácil mesmo, perdermo-nos culturalmente e nem sempre há muito que possamos fazer. felizmente para mim existiram aviões, porque o fado insular pesa muito culturalmente.

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  74. Anonymous5:30 PM

    Acho que nem te repetiste assim tanto.

    Se calhar tens razão, não faço ideia do que sabiam, mas dada a cultural intelectual e da importância dos artistas no meio, (principalmente escritores, mas não só), que presumo que estejas enganada e soubessem do autor da capela Sistina.

    Não acredito na capacidade da escola por si para alterar mentalidades, para mais porque os próprios professores comungam dessas mentalidades. Concordo com a direcção que defines, só acho que não vai mudar nada. Porque o essencial do que sabemos (e do que queremos saber) aprendemos uns com os outros, e se a estupidificação impera na Ágora (entenda-se tv) como podemos esperar que o conhecimento e a cultura sejam considerados essenciais? Tirando pequenas bolsas sociais em geral isso não vai acontecer, sem uma grande mudança de atitude. Quem é o adolescente mais adorado na escola? O que é poeta? O que é o melhor aluno? Não, é o mais bonito que já anda na moda, o que joga no clube da terra, ou outro qualquer, mas nada que se relacione com saber.

    Resumindo, a questão é muito mais profunda do que estes inquéritozinho (para mais já visto várias vezes antes) querem fazer crer.

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  75. Tudo verdade, mas ao mesmo tempo tudo muda alguma coisa: noto por exemplo uma enorme diferença na forma como nos apropriamos de conhecimento entre o que conheci dos sistemas universitários português, inglês, checo e alemão, embora não os conheça a todos igualmente bem. E esta geração já passa tanto tempo na internet como ligada à televisão...

    Mas claro que o essencial não muda - a quem interessa mantê-los no escuro? Era mais fácil governar um país que se interessasse por política? Ou até dá algum jeito que uma metade se declare desinteressada e a outra metade se ocupe a xingar a outra metade porque não sabe quem é o presidente da comissão?

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  76. Já que se falou na isenção dos jornalistas:
    http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=294973387193648&id=100000429668770

    (obtido num sítio que eu cá sei)

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  77. Escrevi-lhe. Coitado, ser assim enxovalhado na praça pública por um lapso, ainda por cima corrigido logo na altura!

    Não há mesmo direito de fazer isto com as pessoas.

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  78. Izzie, thanks.

    Também lhe escrevi a pedir permissão para publicar um excerto da sua resposta, que me parece ilustrar a enorme falta de seriedade com que a peça foi montada.

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  79. Coitado do rapaz. Obrigada Izzie pela partilha.
    Imaginem que foi mesmo como o rapaz conta? Os nossos universitários vão ser largados numa bela selva.

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  80. Anonymous6:28 PM

    Peço-te um favor, explica-me o ponto 4 e 5 porque li, reli, e tenho receio de ter-te interpretado de forma errada. Obrigada e adorei o post

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  81. Tens toda a razão Rita Maria. É bem mais fácil criticar que compreender. Sobre a ignorância, gostei muito disto que li aqui.

    http://circodalama.blogs.sapo.pt/94181.html

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  82. São João

    quase me envergonho de não me ter lembrado desse texto que li quando foi publicado (uma, duas semanas). É fantástico, e tão pertinente.

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  83. rita e ilustres comentadores

    (peço desde já desculpa mas cheguei demasiado cansada para ler atentamente os 82 coments prévios, na diagonal apercebi-me que concordais com a rita)

    estou em desacordo contigo. não diria total, mas substancial.

    falei disto hoje aos meus alunos. apontei, como causas, várias das que elencas. entre elas, culpei o ensino em portugal, igualmente, por esta situação.

    o meu propósito com os miúdos foi, contudo, outro: eles entenderem que não existe qualquer justificação para se vangloriarem da sua ignorância (os meus alunos, mesmo que eu tenha pedido expressamente que não respondessem, acabaram por o fazer - uma parte -, e com correcção.)

    o problema deste video, e que tanto me buliu com os nervos, é que, contrariamente ao que bondosamente vocês crêem, a ignorância é assustadora, e não só de assuntos de ordem geral. a atitude dos alunos (repito, por culpa do estado do ensino que o permite, mas igualmente por culpa própria porque se aproveitam do sistema ao invés de interiorizarem que a escola lhes dá imensa informação, imprescindivel para se orientarem no mundo, e o compreenderem como seu.), dizia, a atitude dos alunos é de profundo desinteresse por tudo. os melhores alunos são-no, regra geral, com vista a entrar neste ou naquele curso, nesta ou naquela universidade, marrando o necessário para cumprir tal objectivo, mas sem verdadeiramente tornarem suas as matérias aprendidas. descarta-se a cultura que a escola fornece assim que o teste termina. e, isso, por mais que a escola queira o contrário, depende da pessoa que o aluno é, não dela (escola).

    é nesse sentido que, 1, o que indigna neste video é que nao saibam quem é o autor dos maias, dado que foi um livro que tiveram que ler (ler, ahahahah, empinaram um resumo qualquer). podiam te-lo odiado (nao quero discutir agora a pertinencia e relevancia d'os maias continuarem a ser de leitura obrigatoria), mas é básica cultura geral fixar o nome do respectivo autor. ao menos para dizer que o detestaram.

    o que impressiona, e igualmente nao colhe qualquer justificaçao, é a carinha de parvos daqueles que alarvemente se riem da sua própria ignorância. o que impressiona e assusta são as respostas/justificações 'cinema nao é comigo', politica não é comigo, religião nao é comigo, informática nao é comigo.

    é que nem é ocasião de perguntarmos entao o que é com eles. porque não é nada, salvo copos, gajas, ganzas e discotecas.

    pareço-te reaccionaria? nao sou. sou uma professora com 30 anos de carreira que SABE os jovens que tem à sua frente. é a atitude, rita, a atitude, ignara e petulante, destes atrasados mentais que nao beneficiam nem um nico do que a escola pública lhes dá, que deve assustar, indignar e fazer espumar da boca.

    tudo o resto, desc que te diga, é querer justificar o injustificavel, tapar o sol com a peneira, passar-lhes a mão pelo lombo, caucionar o embrutecimento daqueles que, até para honrarem seus pais e avós que não tiveram as oportunidades que estes lhe deram com imensos sacrificios, não merecem frequentar a universidade.

    é a atitude alarve que aqui se deve salientar. não há nada mais feio que alardear a ignorância e nada mais triste do que não a combater por si mesmo.

    (desc a extensão do coment)

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  84. izzie, obg pelo link.

    que teria havido manipulaçao, era previsivel. àquele ponto, é criminoso. espero que dê em tribunal.

    contudo, e em relaçao ao 'sumo' do meu comentário anterior, mantenho-o.

    (atenção que, como compreenderão, generalizei. mas as excepções, creiam-me, só servem mesmo para confirmar a regra.)

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  85. Não tenho qualquer dúvida que a meia dúzia de jovens que vemos naquele vídeo seguramente foi escolhida de entre mtos jovens a quem foram feitas as mm perguntas e acertaram.
    E além disso, pessoas assim sp existiram e sp vão existir. Mas não deixa de ser mauzinho...
    Mas tb aposto q alguns dos que falharam as perguntas andaram a gozar com a outra da casa dos segredos pq n sabia a capital de Espanha e pq diz q África é um país na América do Sul...
    AH e eu tb n me lembrava da do padrinho :)

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  86. acho todo este barulho uma estupidez, um cair no engodo.
    muitos dos que gritam vergonha falhavam as mesmas perguntas.
    claro que vai existir sempre pessoal que sabe menos.
    cada vez mais nos campos referidos, tendo em conta que hoje em dia se preferem as tecnologias e quanto mais especializadas melhor (lembro que o dia só tem 24h, e se és o melhor na tua área de trabalho, vais ter pouco tempo para estudar outra).

    sinceramente o video deixou-me triste.

    triste pela naturalidade com que alguns pareciam aceitar a sua própria ignorância, e triste porque alguém teve a ideia estúpida de os gozar e usar como elemento de arremesso.

    só não entendi contra quem, e isso é indiferente.

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  87. Anonymous11:16 PM

    Não tive tempo de ler todos os comentários e por isso não sei se isto já foi referido

    http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=34082

    De qualquer forma parabéns pelo seu texto pois está fantástico.

    Isabel

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  88. @São João, Vou ler!

    @Anónimo Dantes, só havia elites nas universidades. Eram meninos de boas famílias. Tinham outro nível de base, outra cultura de berço. "Agora", pessoas de todos os estractos sociais têm acesso à educcação. Isso significa que por cada menina com professora de piano na infância, há outra cuja mãe limpa casas de banho na Sobreda, outra que sabe cavar batatas e outra ainda cuja mãe é dona de casa e se pergunta onde fica esse país do Mediterrâneo. Os conhecimentos sobre as Variações de Goldberg são, assim diluídos, menores, os jovens universitários em média sabem menos sobre esse tema, estatisticamente menos pessoas sabem que não foram os Deolinda a inventá-las nem o Goldberg a compô-las. Mas a sociedade, como um todo, ganhou infinitamente, mesmo que seja mais difícil ensinar esta mistura tão díspar. Era isso.

    @sem-se-ver Não tenho tempo para te responder inteiramente agora mas suponho, nem que seja com base na seleção natural, que os jovens não serão naturalmente mais idiotas hoje do que há vinte anos.
    Se concordarmos que a coisa dificilmente é uma questão das suas capacidades naturais, torna-se das duas uma: ou uma questão de sociedade ou uma questão de educação.

    Eu acho que é uma mistura: entre uma cultura que em vez de os aliciar os ataca, como se depreende da atitude da jornalista segundo a peça que a própria escreveu, como nos lembram regularmente os intelectuais da nossa praça e como demonstra de forma irrepetível aquela diatribe repugnante do Prado Coelho que conto acima; entre uma economia que goza com os seus diplomas, uma escola toda direcionada para a profissão que os testa em testes de cruzinhas e lhes proíbe o pensamento crítico numa aula de filosofia (true story, conheço-a pelo menos duas vezes com 14 anos de diferença); entre isto tudo e uma retórica do ódio. São burros, preguiçosos, ignorantes, não querem saber, não querem trabalhar, chulam os pais, que emigrem!

    Depois confrontados com a sua ignorância, em vez de baixarem a cabeça envergonhados, chorarem ou pedirem desculpa, arranjam uma desculpa, e uma desculpa que lhes permita ficar melhor perante os seus próprios olhos, com a auto-estimma dos 18 anos. Tu achas mau sinal? A mim quase me apetece diagnosticar-lhes um resto de coluna vertebral, uma força pequenina, alguma resistência ao insulto. E não abro mão.

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  89. @São João Muito bom, mesmo. Parecem-me especialmente a propósito estas duas frases: "Quero apenas sublinhar que esse tipo de conhecimento é apenas o reverso da ignorância da pobre Cátia. (...) Para elas, passageiras triviais do barco e do mundo, a barbárie está para além das muralhas daquilo que conhecem (um reflexo historicamente compreensível e humanamente perdoável), a barbárie começa na cabeça da pobre Cátia".

    É um pouco como a definição de cultura geral que arrisquei algures aqui em cima....

    E a esse propósito vou tentar encontrar amanhã tempo para escrever sobre duas ocasiões em que me cruzei com profundidas inauditas da minha/nossa ignorância.

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  90. É clara a "falta de jornalismo" do vídeo e do texto que o acompanha, mas não me parece contudo que isso perdoe as respostas dadas. Eu também não sabia o nome do actor de "O Padrinho" e nunca vi o filme, mas acredito que se o tivesse visto o nome me teria escapado da mesma forma que escapam o de tantos outros actores. Ok. Mas esta é uma das perguntas e eu pessoalmente seria capaz de responder a todas as outras. Não digo que isso seja o normal ou o mínimo aceitável, mas a questão ultrapassa o não saber: algumas (muitas) daquelas respostas são imperdoáveis! Todos eles fizeram o secundário, todos eles deram Os Maias e confundir o escritor com um médico que recebeu um Nobel é grave! Eu cresci no Minho: não tinha o CCB ali ao lado, nem sequer Serralves é perto. E sim: o ensino em Portugal não está bem estruturado, a cultura não é estimulada como deveria, mas então e a iniciativa individual? Desde quando é o Estado o único responsável por ti? E não me venham dizer que as pessoas não têm dinheiro para cultura (livros, jornais...) quando eu as vejo a despejar cafés, finos e tabaco diariamente. A questão é que é mais fácil sentar-se no café, pedir uma bejeca, acender um cigarro, dizer que não há dinheiro e culpar o Estado por isso. Aquelas respostas são uma vergonha, aqui ou na China. Cultura Geral não é comigo?! Então o que é que é contigo? O canudo?!

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  91. Eu avisei que o pessoal não lia Dostoiveski.

    Mas se daí nascesse uma pérola...

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  92. Desde o início dos tempos que as novas gerações estão perdidas, não sabem nada, são preguiçosas, não querem trabalhar, são muito piores que as restantes que existiram. Ainda assim o mundo pula e avança e o que temos hoje não se compara ao que os nossos avós tinham no início do século passado, por isso não há nada a temer, é tudo normal.

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  93. @Celina Acho que já respondi a isso, embora compreenda que as pessoas não vão ler todos estes comentários antes de escrever um. A versão comprida da resposta há-de estar lá para cima, mas a resposta curta:

    1) Eu diria que 90% da população não é capaz de explicar o que faz a Comissão Europeia, como é escolhida e em que difere dos outros órgãos; o que aconteceu essencial com a Arte no Renascimento e o que tem de especial a Capela Sistina; o que têm os Maias de tão extraordinário. Face a isto, "parecia bem" se pelo menos soubessem quem era o presidente de uma, quem pintou a outra e quem escreveu o último, mas isso NÃO É CONHECIMENTO, é fachada. É isso que lhes levamos a mal - esqueceram-se de polir a fachada, coisa afinal tão essencial....

    2) As pessoas ignorantes sempre existiram e sempre existirão. No caso de Portugal então, temos de contar com décadas de obscurantismo, de analfabetismo e de pobreza extrema, a juntar ao seu oposto, o elitismo absoluto das nossas elites culturais. Era muito bonito que todas estas pessoas tivessem sido trocadas no 25 de Abril ou tivessem sentido elas próprias necessidade de mudar e tivessem ido todas coletivamente à biblioteca? Às tantas era, mas as sociedades não evoluem assim. Nem a nossa nem as outras.

    3) Em qualquer país da Europa, escolhendo pessoas parecidas, fazias o mesmo vídeo.

    4) A definição do que constitui essa "fachada" de cultura geral que esperamos que saibam mesmo que não compreendam, é muitíssimo desequilibrada - é normal ignorar o mais básico de ciência, ninguém to leva a mal, como refere a Luna, ou não reconhecer a folha de um carvalho, não fazer ideia nenhuma de quando nascem batatas novas ou achar que os tomates nascem nas árvores. Tudo bem desde que, não as tendo lido, saibas quais as principais obras de Saramago.

    5) Por último sobre a atitude deles e a forma como se defendem, a mim chega-me ler o texto para perceber o tom em que elas foram feitas, sim, eu percebo aquela necessidade de se desculpar perante aquela sobranceria armada de câmara-vídeo.

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  94. Já sem ser diretamente em resposta, efetivamente há uma coisa que aconteceu nos últimos anos, o nível de exigência do jornalismo e do discursoo público baixou. MUITO.

    Quando eu era miúda e me aborrecia de morte aos fins de semana, lia o Expresso, a meio da minha adolescência deixei, estava insuportável. Cresci numa casa em que se via o telejornal, mal pude deixei de o fazer e quando voltar a Portugal continuarei sem televisão e sem telejornal: são uma miséria assustadora. Quando era miúda sonhava ser deputada: outro dia vi um debate quase inteiro, 2 horas e 58 minutos daquilo e fiquei tão triste e revoltada que nem tenho palavras.

    Aqui, efetivamente, mudou alguma coisa. Será culpa dos jovens universitários?

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  95. com certeza que nao (resposta à tua ultima questao), mas mts deles já são filhos da escola publica pos 25 de abril. isto soa ainda mais terrivelmente reaccionario e saudosista, mas não é nenhum: é factual.

    as razoes sao conhecidas: explosao (graças a deus) de alunos no ensino obrigatório (vulgo, democratizaçao do ensino), péssimas 'politicas' educativas, erros sobre erros nas multiplas 'reformas' educativas, mediocratização da classe docente (para corresponder ao crescimento do nº de alunos, qq gato pingado pôde entrar na profissão), desautorização e perda de dignidade dela; acrescem os factores sociais e culturais ao nível global.

    a tua atitude desculpabilizadora, seja das asneiras que ali se ouvem, seja da atitude alarve de alguns deles, pelo tipo de justificaçoes que eles dão, não responde a esta questão primordial - merece quem ignora, e exibe gáudio da sua ignorância, estar numa universidade?

    para mim, é claro. não.

    rita, eu entendo a tua posição, a sério que entendo. aquela 'peça' está eivada de má-fé, claro que sim. mas não foi a jornalista que os pôs a responder mal ou a gargalhar por não saberem ou a tudo justificarem por 'não ser comigo'. se nada do que faz parte da vida (eexs dados - cinema, politica, religiao, informática, cultura geral - !), nao é com eles, o que é então? e, essencialmente: o que fizeram e fazem para merecer estar numa universidade?

    beijinhos

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  96. Belo debate, desculpem, tenho de me repetir: belo debate. Uma coisa destas não acontece todos os dias. E assim se prova que a inteligência atrai inteligência. O que também significa que aquele jornalista não devia ser muito dotado...

    Uma pequena nota à margem, para a sem-se-ver: à frente de uma câmara de filmar, as pessoas ficam diferentes. Por vezes incapazes de pensar, e a tentar desesperadamente compor uma imagem para tv ver. Eu não daria demasiado valor a essas reacções no filme, porque podem ser provocadas pelo contexto mediático.

    Uma nota à margem, para a Maria Bê: "o trio de adoração/veneração/amor platónico/board of directors do clube de fãs "Rita Maria" - mas é que nem pensar! É que sai já um putsch militar, e a generala sou eu.
    Muitos ;-) para o trio, claro. Aceitam formar uma quadrilha?

    (antes que virem para mim as câmaras: eu sei que "quadrilha" não é a palavra certa neste caso, descansem)

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  97. *mts deles = dos deputados

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  98. helena,

    só quem não é professor (desc o argumento, é falacioso, mas entende-o como exemplo, não como verdade absoluta) é que não percebe que o que está ali NÃO É a excepção NEM É motivado pelo (natural) nervoso do escrutínio face às câmaras.

    convidava-te a vires passar uma semaninha em escolas secundarias portuguesas (a minha ou qualquer outra) para aferires, já nem falo da ignorância (porque, para mim, não é isso que aqui está em discussão, como estou farta de dizer) a atitude perante o conhecimento e a informação da maior parte dos alunos.

    bjs que tou super atrasada!

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  99. @sem-se-ver Não sei se entendes. Eu não defendo a ignorância deles, só acho que não tem nada de surpreendente no país que temos e que o tipo de cultura de fachada perguntado reflete aliás essa realidade. Ninguém espera que eles fiquem de boca aberta perante a beleza da Capela Sistina, só queríamos que fizessem de conta para não nos estragar o ramo de flores tão bem composto.

    Só que a informação, lá está, são os mecanismos do cérebro, tem de se agarrar a alguma coisa. Pergunto de novo: de que serve saber quem é o Presidente da Comissão Europeia se ninguém sabe para quê que ela serve? Portugal entrou para a UE poucos anos depois de eu nascer, dirias que dava tempo - número de aulas que eu tive no secundário sobre o funcionamento da mesma: ZERO.

    A pergunta essencial é esta: se é assim que tratamos o conhecimento, porque é que esperamos que eles lhe deem valor? Se o que esperamos deles são factos isolados decorados para um teste de cruzinhas, que direito temos de esperar que ainda lá estejam colados com cuspo alguns anos depois?

    Tu dizes que eles não merecerão estar na universidade e eu pergunto: é coisa que se mereça? Pegando (hipoteticamente) num bando de ignorantes, o que é melhor: garantir que não vão fazer má figura para as universidades ou que recebem mais educação?

    E tu respondes: era melhor que não chegassem aos dezoito anos assim. E eu concordo, é verdade.

    Só discordamos em dois factos essenciais: eu não acredito que as gerações anteriores fossem culturalmente mais avançadas e eu não acho que eles mereçam nem a nossa vergonha, nem o nosso desprezo, nem os nossos insultos.

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  100. E sobre as vossas fãzices: houve tempos em que a liderança do meu clube de fãs era disputada por homens jovens e garbosos. Ah, isso é que eram tempos!...

    (estou a brincar, eu agradeço o carinho, mas os blogues e as discussões não se fazem sozinha)

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  101. Também eu não tenho tempo para responder à Sem-se-ver. Mas alinhavo aqui o que seria a minha resposta:

    1. Medir a qualidade do ensino não é algo tangível mas resulta de modelos sócio-economicos. A escola é desenhada com diversas funções em mente que vão desde a incorporação da ideologia do estado (vulgo preparação de cidadãos para a democracia), desenvolvimento de conhecimento (matemáticas e afins), capacidade crítica (questionar o óbvio) e tantas outras coisas. Sobre o problemas de medição, o Hugo Mende tem feito leituras incríveis no www.jugular.blogs.sapo.pt

    2. Vangloriar a ignorância pode ser o primeiro passo para procurar conhecimento. Se um indivíduo não reconhece a sua falta não o vai procurar

    3. O susto da ignorância. Como já foi dito atrás notícias são construídas. Se o jornalista mostra só que a maioria dos seus entrevistados sabe as repostas, não vai vender a história. Se pelo contrário consegue demostrar que existe ignorância generalizada às portas de uma universidade - ui, ai há fortunas a fazer. Tal como nas universidades há bons e maus alunos, também no mundo jornalístico há bons e maus profissionais. Este é capaz de não ser assim tão mau já que estamos a discutir a notícia há 100 comentários.

    4. Há universidade e universidades. O debate tem-se centrado na tensão entre ensino elitista e nível generalizado de conhecimento. Este problema não está apenas presente nas famílias dos alunos e nas escolas onde são ensinados. Na realidade o elitismo universitário também existe e em certas instituições é mais diluído que noutras.

    A diluição elitista é inversamente proporcional ao ranking da universidade . De uma forma simplista, a população da California Institute of Technology ou Harvard (1º e 2º lugar no ranking do Times Higher Education http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/2011-2012/top-400.html ) serão mais homogéneas no que respeita a distribuição de conhecimento geral. A Universidade de Lisboa não está presente no ranking mas não deve andar longe da Universidade do Porto ou da Nova (entre a posição 300 e 450) Esta dispersão de conhecimento está relacionada com várias causas - desde o próprio ranking ao sistema de recrutamento de alunos e passando, claro está, pelos recursos das universidades.

    Em suma, se querem universidade onde o nível de conhecimento geral é mais elevado, vão procurar no sítio correcto. Esta dispersão de capital social e escolástico levanta importante questões que devem ser debatidas politicamente de forma a criar modelos educacionais que correspondam a aspiração das populações. De qualquer das formas o debate é orientado por vários eixos: mais acesso/menos acesso ; mais recursos/menos recursos ; recrutamento local de professores / recrutamento aberto de professores ; etc

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  102. @Rita, quanto às cruzinhas. Há espaço para elas num sistema de ensino que privilegia a capacidade crítica e individual de procurar conhecimento. O maior problema é que fazer um teste/exame de cruzinhas é muito mais difícil do que fazer um de resposta aberta. É necessário muita inteligência para desenhar perguntas/respostas que captem a verdadeira capacidade do estudante.

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  103. @MacacoZarolho Ui, discussão antiga, antiga - ainda ninguém me convenceu mas sim, não acho impossível por princípio. No entanto os exames nacionais andem aí e tenho cá um palpite que não é daquilo que falas....

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  104. Margarida Ruivaco11:14 AM

    mais lenha na fogueira:

    e, por outro lado, há tantos assim. Fico parva, ao dar aulas numa universidade, num curso técnico, e ver que não sabem usar régua e esquadro, muito menos um transferidor. Esqueci-me do nome do homem da microsoft, coisa que toda a gente sabe, e lá em casa a Capela sistina também não é tema de conversa , embora haja um puzzle do mesmo com 8 mil peças, mas há mínimos. Muito bem, não dizem percentagens, apenas mostram alguns burros. Mas é porque, de facto, eles existem

    Tudo bem, concordo que haja alguma distorção. Eu não sou um géniozinho. O meu marido daria respostas estranhas. Mas isto é um alerta. Dou aulas ao curso de engenharia civil. Daí que todas as respostas de outras áreas deveriam ser um mistério, pelas desculpas que dão. Mas nas aulas de desenho, como disse, não sabem desenhar com regua e esquadro ( não tem nada a ver com jeito ou arte), não sabem escrever letras "à máquina": sim, não comseguem fazer um Q, um G, um J, desenhado à mão, e já nem falo eu cursivo, apenas copiar o que está à frente deles, no teclado do telemóvel. Coisas básicas. Eu nem sei como seria se lhes perguntasse os rios, as serras, as linhas de comboio...mas sei que não conhecem os ângulos de um esquadro, não conseguem dislumbrar maneiras de desenhar polígonos através de medidas ou ângulos..e não é 1 ou 2, é cerca de metade da turma a que dou aulas.
    Mais, imagine que era cozinheiro, e que lhe davam a escolher entre ir para pasteleiro ou cozinheiro de refeições. E que ele dizia, sim senhor, tudo bem, mas não é preciso conhecer nem ingredientes nem técnicas de confecção, e que começava já amanhã. Eu tenho alunos assim, no fim da licenciatura e que acham que amanhã vão ser engenheiros de projecto ou de obra, mas que como estudar materiais de construção e processos construtivos é uma seca, aprenderam isso no semestre passado e hoje já não interessa nem sequer se lembram de ter ouvido falar. Mas o diploma, esse vão tê-lo, no final do ano lectivo.

    Mais ainda: sou de uma aldeia, mas ser da aldeia já não é desculpa para nada, temos acesso a tudo a que os outros têm. O ano passado, o projecto do infantário foi fabuloso, e no fim do ano, meninos de 4 e 5 anos davam baile aos da 3ª e 4ª classe em termos de geografia e uso e costumes dos povos do mundo. E a muitos pais!! por exemplo, uma mãe de cerca de 30 anos, veio perguntar-me o que era a oceania, que o filho tinha dito que era preciso fazer uma colagem em casa com coisas típicas de lá. A senhora tem conta no facebook, que eu já a vi por aí...presumo que saiba fazer uma pesquisa, se não se lembra dos continentes, da escola primária. O pessoal simplesmente não liga a nada que não seja a sua vida directa. Em 40 pais, ninguém leu a Fada Oriana, da Sophia M B A, e diz que nunca ouviu falar, excepto agora, que vou adaptá-la à peça de teatro da escola. Eu estudei este livro na escola. Eles são da minha idade, mais coisa menos coisa. Ou afinal, sempre há diferenças nas escolas...e acima de tudo, de todo o suporte familiar subjacente - que, esclareço, nada tem a ver com ser rico, porque não foi sorte que me tenha calado. E mais, tudo vem do interesse de cada um. E eu sei ver pelo que tenho em casa ( 2 filhas, uma ávida pelo saber, outra pela vaidosísse e futilidade da vida). Mas está na minha mão fazer por alterar esa situação. Eu que acho, que aos 36 anos não sou assim tão velha

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  106. Parabéns! Gostei bastante e é óbvio que concordo.

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  107. E eu que não gosto nem um bocadinho dele... http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=904110&audio_id=2132157

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  108. Eu estou no 1º ano do ensino universitário e no geral tive sorte com o ensino. Sim, sorte: porque tive professores a quem só lhes interessava que empinássemos a matéria mas, em contrapartida, tive muitos outros que alimentavam o nosso conhecimento com diversos assuntos para além do que estava nos manuais e fomentavam a troca de ideias.

    Se há algo de que gostei quando cheguei à faculdade, foi constatar que há imensos estudantes com interesse em diversas áreas, e se por vezes ouvimos falar de algo que não conhecemos, gostamos de nos inteirar do assunto.

    Fiquei boquiaberta quando uma aluna do 12º ano me disse que nunca tinha lido um livro. Os livros eram os meus melhores amigos ainda antes de eu saber ler. Pedia que mos lessem e decorava as histórias.
    A minha mãe tem o 6º ano e o meu pai tinha o 5º, pois tiveram que trabalhar para pôr pão na mesa. Mas para além de quererem que eu conseguisse chegar à universidade, preocuparam-se em tornar-me uma pessoa interessada, com vontade de saber mais. A minha mãe viu um planisfério, perguntou-me que mapa era aquele e gostou que eu lhe explicasse. Mas apesar de eu ser de Biologia, ela sabe distinguir uma rã de um sapo e eu não.

    Em resposta a algumas pessoas: Os alunos no 11º podem dar Os Maias ou A Relíquia, dependendo da escolha feita pela escola. Eu li os 2 quando andava no 9º.

    "Jornalistas" e revistas como estas reflectem o lado menos bom da sociedade, porque são elas próprias parte desse lado. Esta "reportagem" revela a falta de educação, principalmente de quem escreveu e publicou o artigo. A promoção da cultura deveria partir da comunicação social e da sociedade em geral. Se há jovens com falta de cultura geral, é porque são educados por uma sociedade sem valores e educação.

    De facto a educação em Portugal não é perfeita, mas nos outros países a situação é a mesma. A educação passa pelos valores incutidos pela família e pela sociedade. Se queremos jovens mais cultos, não podemos simplesmente pensar em mandá-los para a escola, mas dar o exemplo para que eles queiram ser pessoas cultas.

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  109. 'macaco zarolho',
    «Vangloriar a ignorância pode ser o primeiro passo para procurar conhecimento. Se um indivíduo não reconhece a sua falta não o vai procurar.»

    desculpe, faz uma terrível confusão. a sua frase deveria tr começado por 'reconhecer', e nunca por 'vangloriar'; quem reconhece a sua ignorancia, já diria o velho camarada - grego - sócrates, procura combate-la; quem se vangloria dela, nunca.

    é só esse o meu ponto. é isso que me indigna, no video, e em alguns alunos que conheço ou que colegas meus colegas ou que é já vox populi que são assim pois toda a gente conhece muitos exemplares desta estirpe, e seja neste blog, seja em outros, multiplicam-se os testemunhos. quem não os quer ver ou os minimiza nao presta nenhum bom serviço a ninguém, desculpem a sinceridade.

    outra confusão sua:
    um teste de cruzinhas, desde que seja muito bem feito, pode realmente ser muito mais difícil de elaborar - mas é francamente mais simples de corrigir. muitos profs usam-no simplemente pela 2ª razao. donde, daqui se conclui que...

    por outro lado, é inadmissivel que conteúdos sejam só testados desta maneira; além do fator sorte, há o fator cábula (copiar por alguem presente na sala). testes, e particular de humanidades, elaborados assim, por mais dificeis que sejam de construir com rigor e perfeição, sao criminosos. não há forma de desenvolver o pensamento ou a atitude crítica se nao se pede aos alunos que eles o desenvolvam em respostas escritas, sejam elas curtas, restritas ou extensas.

    sou prof de flosofia e os meus testes contêm, em regra, 1 ou 2 grupos com cruzinhas (V/F, têm que justificar), alternativas, correspondencias, desse tipo. é uma forma de avaliar. usualmente consagro-lhes cerca de 25% da cotação do teste. o resto é constituido, e seria indefensável que não o fosse, por questões de respostas curta, restrita e extensa (sendo que nesta, é sempre de comentário), onde se exige que o aluno escreva, explicando, explicitando, caraterizando, relacionado, analisando textos, problematizando-os, etc etc.

    era só.

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  110. patricia, exactamente:

    «é porque são educados por uma sociedade sem valores e educação.»

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  111. @sem-se-ver

    Eu não duvido que haja muitos, nem nego que existam. O que digo é que as elites do antigamente com quem os comparamos também ainda lá estão, para quem quiser ir à procura.

    E que compreendo a desculpa, a defesa, a forma como reagem, de quem se vê de repente sentado no banco dos réus sem ter sido avisado.

    Eles reconhecem a ignorância, não reconhecem é interesse ou utilidade ao conhecimento que estamos (estamos?) a avaliar. Têm razão?

    E se não tiverem, o que estamos a fazer para o demonstrar, o que podemos fazer melhor?

    Esta é a questão. Porque sobre a fraca utilidade pedagógica de os enxovalhar, tenho quase a certeza de que estamos de acordo.

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  112. @Margarida Ruivaco Eu também acho que vir da aldeia não é uma "desculpa", o que eu não acho é que eles precisem de "desculpas". De resto, desculpas podemos discutir no caso individual de cada um, e o caso individual de cada um não me interessa neste caso.

    No geral, só podemos discutir questões sociais: isto é um bom retrato dos jovens universitários? Independentemente da forma como foi feito, corresponde a um problema real? Se corresponder a um problema real, é assim para um grupo etário específico, ou é um problema geral da população? Se corresponder à verdade, o que podemos fazer, como sociedade, para melhorar?

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  113. @Patrícia É também assim que o vejo, é isso mesmo : "A educação passa pelos valores incutidos pela família e pela sociedade. Se queremos jovens mais cultos, não podemos simplesmente pensar em mandá-los para a escola, mas dar o exemplo para que eles queiram ser pessoas cultas."

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  114. Margarida Ruivaco4:23 PM

    @Maria Rita às 12:40

    Ora aí está um belo assunto para se investigar!! E se calhar valeria a pena fazer-se um estudo sério sobre isto, e descobrir de onde vem o problema.

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  115. «Porque sobre a fraca utilidade pedagógica de os enxovalhar, tenho quase a certeza de que estamos de acordo.»

    claro que estamos :)

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  116. Anonymous5:38 PM

    Só uma pequena correcção: não existe exame nacional de Sociologia :)

    Quanto ao assunto do post: o que a Sábado fez não foi, claramente, bom jornalismo. Mas não podemos desculpabilizar os alunos que responderam daquela forma...podemos culpar o jornalista/a revista pela opção que fez (colocar só abéculas), mas devemos igualmente culpar os jovens por esta aparente falta de cultura. Confesso que não sabia responder à pergunta d' "O Padrinho", mas há lá coisas que são admissiveis. Dizemos facilmente que o erro está na educação dada pelos pais, na massificação da escola e na sua falta de exigência...mas a verdadeira ignorância existe porque as pessoas não procuram saber mais. Qualquer pessoa que ande no Ensino Superior tem a possibilidade de se informar melhor: livros, artigos de investigação, comunicação social, internet. Opções não faltam...o que falta é vontade para isso.
    *

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  117. Oops...mas já existiu, que eu vi-o e uma amiga (muito inteligente, não lhe quero retirar nada) teve 20.

    Quanto ao resto e à questão da responsabilidade individual, tenho de me repetir: se estes jovens são exceções, fale-se de responsabilidade individual, deles e ou das suas famílias; se eles e as suas atitude são a norma, então fale-se de responsabilidade social, nossa. Deixemos o "eles" e falemos de um "nós".

    Procurar as causas sociais dos fenómenos sociais não é relativizar nem desculpar, é tentar ser justo e responsável, pelo presente e pelo futuro.

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  118. Maria2:20 AM

    Bem, acho que a primeira coisa que se deve dizer sobre o "artigo" é que em portugal não é preciso nada para ser jornalista, e portanto aqui temos o claro exemplo do estilo de jornalismo/lixo que está no mundo neste momento.
    Eu de facto nao cresci na aldeia, as minhas desculpas, mas tenho a certeza que lá existe televisão, e que pelo menos metade das pessoas vêm o nojo que é a Casa dos Segredos, ou outro reality show do género.
    Eu sou aluna universitária e nao, nao me identifico com nenhum dos entrevistados, mas que os há, há!
    Nao percebo como é que choca alguém que haja pessoas burras ou incultas! Sempre ouve e sempre irá haver, o facto de estarem na universidade só significa que, secalhar quando acabarem o curso serão ligeiramente mais incultas, esperemos. Senão, também nao será uma novidade, e de polémico não tem nada, basta entrar num café em qualquer zona do país e fazer as mesmas perguntas e esperar pelas respostas...
    Cultura geral para mim é importante, mas mais importante é a dedicação e a vontade de aprender, e o facto de estes alunos estarem a perseguir um ensino nao obrigatório mostra que ao menos têm isso, se gostam ou nao de Saramago é secundário!
    Perdoem-me o tamanho, mas li muitas criticas ao tal "estado do ensino universitário" que me chocaram, particularmente uma que me levou as lágrimas de rir:
    Patricia:

    isto é das coisas mais deprimentes que já vi. Confesso que me ri com a estupidez e burrice desta gente (eu sei que sou mazinha; mas pelo amor da santa não saber o símbolo químico da água, é demais). E é "isto" o futuro do nosso querido país.
    Se assusta-me?! Meu Deus e de que maneira!"

    Desde a linda expressao "Pelo amor da Santa" ao "Se assusta-me" acho que pudemos ver como todo o bom português adora apontar o dedo, antes de olhar para si próprio... BTW obrigada pela origem das vacinas, não fazia ideia!

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  119. Ups, menos incultas, sorry

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