cansaço, muito cansaço
(introdução ao jornalismo para principiantes)
(daqui)
Joãozinho é jornalista, com a carteira profissional em dia e possivelmente até formação específica para o exercício destas funções. Nesta qualidade, recebe um press release, vai a uma conferência de imprensa ou a outro evento para jornalistas organizado por uma instituição. Assinale o comportamento correto:
a) Copiar o texto do press release e publicá-lo ipsis verbis.
b) Dar a notícia apenas se a considerar relevante, em tom neutro e factual, assinalando a fonte da informação, verificando-a se necessário e tentando complementá-la ou contextualizá-la quando possível.
c) Ignorar por princípio a informação recebida, mesmo que seja relevante para o seu público, pensando "Cambada de sacanas, é tudo propaganda", enquanto emborca três croquetes.
d) "Iiiiiiiiiiiiiiiii, oh meu Deus, não acredito, eles são os maiores, que fofinhos, inamen!", seguido da publicação de peça igualmente inflamada e acrítica.
Pista: Uma delas é correta, outra é quase aceitável, todas as outras são pouco profissionais e negativas tanto para o jornalismo como para as relações públicas, isto para nem falar no público final.
(daqui)Joãozinho é jornalista, com a carteira profissional em dia e possivelmente até formação específica para o exercício destas funções. Nesta qualidade, recebe um press release, vai a uma conferência de imprensa ou a outro evento para jornalistas organizado por uma instituição. Assinale o comportamento correto:
a) Copiar o texto do press release e publicá-lo ipsis verbis.
b) Dar a notícia apenas se a considerar relevante, em tom neutro e factual, assinalando a fonte da informação, verificando-a se necessário e tentando complementá-la ou contextualizá-la quando possível.
c) Ignorar por princípio a informação recebida, mesmo que seja relevante para o seu público, pensando "Cambada de sacanas, é tudo propaganda", enquanto emborca três croquetes.
d) "Iiiiiiiiiiiiiiiii, oh meu Deus, não acredito, eles são os maiores, que fofinhos, inamen!", seguido da publicação de peça igualmente inflamada e acrítica.
Pista: Uma delas é correta, outra é quase aceitável, todas as outras são pouco profissionais e negativas tanto para o jornalismo como para as relações públicas, isto para nem falar no público final.

Acho que a b) é a correcta, e como hoje me sinto bem disposta até aceito a a), as outras duas nem comento.
ReplyDeleteJá sabes mais do que muitos meninos e meninas do ofício, cuidado que ainda te oferecem um emprego...
ReplyDelete(a recibos verdes!)
b) é a correcta, a a) é aceitável. As outras só mesmo saídas da cabeça da Rita Maria! Ou terão acontecido?...
ReplyDeleteAcontecem toooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooodos os dias!
ReplyDeleteSou tão ingénua, credo...
ReplyDeleteIsto, por exemplo, ainda é "levezinho", mas na minha opinião já ultrapassa os limites do razoável...
ReplyDeleteOntem e hoje li uns posts de uma jornalista muito conhecida da nossa blogosfera nacional que me deixaram com vontade de destilar veneno! Mas nunca com o teu brilhantismo... É a esta gente que te referes, certo?
ReplyDelete(um) beijo de mulata
Compreendo... é tão fácil ser jornalisat assim, não é?
ReplyDeleteEsse foi o despoletar hoje, mas é uma zanga muito antiga, já cancelei uma assinatura de uma revista por causa disso.
ReplyDeleteEu até trabalho em comunicação empresarial e tudo, mas estou cansada de saber que quando a esmola é grande o pobre desconfia.
Esse artigo da Visão que a revista publicou no Facebook por exemplo, deixa-me tão de pé atrás que daqui a bocadinho caio de queixo. Uma empresa jornalística cede a sua reputação por tão pouco?
@Doruschka É fácil e dá direito a presentes, convites, contratos publicitários... ... ...
ReplyDeleteJá trabalhei numa empresa que nos comunicava os press release que fazia. Dois dias depois, abria o jornal que é dito "de referência", e lá estava a opção a).
ReplyDeleteIsto era a regra. só foi bom, porque hoje em dia percebo logo, pela linguagem usada, se é ou não um press release totalmente acrítico e com os factos não confirmados.
Se o assunto for político, há mais um elemento a considerar: a inclinação política de quem (trans)escreve a nota.
It's a wonderful world.
Eu até aí ainda tolero - nao acho que possa ser regra, mas acho que ha situaçoes em que o copy paste nao é criminoso. Ja o resto...
ReplyDeleteOlha... na minha area e' obrigatorio publicar a "noticia" em tom neutro ou factual, quer a consideremos de relevancia para o publico ou nao... Senao somos acusados de omitir "nao-resultados", que criam desvios na informacao - o facto da noticia nao ser relevante, e' relevante por si so, porque evita que vao la outros fazer a mesma coisa para nao chegar a lado nenhum. Mas nao encontrei essa opcao.
ReplyDeleteSim, mas aí sao areas demasiado diferentes, porque voces fazem coisas, com os vossos proprios resultados, que sao relevantes por direito proprio.
ReplyDeleteNão percebo porque não partilhas e aplaudes a comum histeria blogosférica quando se recebe um gift bag de um produto que, OMG, OMG, é tão do best.
ReplyDeleteHonestamente, a blogosferica ainda va, as pessoas deslumbram-se com o quiserem, embora conheças a minha opiniao sobre publicidade nao assinalada. Ja no jornalismo, é um escandalo.
ReplyDeleteDepois ha as misturas - pode ser-se jornalista e relaçoes públicas ao mesmo tempo, mesmo que em meios diferentes? Nao, nao pode, é incompatível, diz a deontologia.
E se for antes escrever coisas em troca de presentes? Ah.... A partir de certa altura, entramos em questoes mais confusas, mais dependentes do sentido ético de cada qual e da sua interpretaçao dos codigos que professam.
Ja o sentido crítico e a resistência ao deslumbrismo, cheira-me que ou é panela em que se caiu quando se era pequeno ou nao.
Ó Rita, mas e se eu te contar um caso de total promiscuidade, em que o tema de capa de determinada revista é batatas boas e baratas, há uma blogger que se fez cliente (diz ela) de uma loja de batatas boas e baratas, de onde leva sacas mediante aconselhamento de uma personal potato buyer, e relata a sua experiência com as ditas batatas no blog? Como ficamos?
ReplyDeleteE não é a primeira vez que no blog publica fotos de artigos sobre os quais escreveu profissionalmente.
Nesse caso überhipotetico eu diria que é uma sorte para esse amante de batatas que a comissao de carteira ande a dormir e que as publicaçoes para onde se escreve se estejam nas tintas, ja que até de graçam publicam pérolas que so de encomenda...
ReplyDelete(vide caso Visao/Timberland acima)
o jornalismo de qualidade, se alguma vez o houve, morreu há umas boas 2 décadas. Aliás, em Portugal eu arriscava dizer que morreu desde o início dos cursos de comunicação social.
ReplyDeleteQuando alguém acha que se pode passar 3 (ou 5) anos a discutir "comunicação" e "teorias da informação" e exactamente zero tempo a aprender sobre aquilo que se vai transmitir, então o resultado só pode ser este. Jornalistas acéfalos que não entendem rigorosamente nada do que escrevem, que fazem erros repetidamente [ http://arroganciadajuventude.net/?s=kw%2Fh ] e são arrogantes na sua ignorância.
[e sim, eu já reparei na formação da blogger aqui do sítio e sei que iremos discordar grandemente, mas that's life... desde que ela não me ponha de castigo e me proíba de cá voltar!]
ReplyDeleteA grande maioria dos jornalistas pensa como tu e sonha com um "curso prático". Eu por acaso efetivamente discordo.
ReplyDeletePor vários motivos:
1) Os cursos práticos existem, no CENJOR por exemplo, e diz que são até muito bons. Ninguém obriga ninguém a tirar Ciências da Comunicação e não é culpa das universidades que em Portugal seja obrigatório ter-se tirado um curso universitário.
2)This much said, as universidades são instituições científicas e estudam as coisas de forma científica. No caso das ciências sociais, isso implica uma reflexão sobre processos sociais conduzida de acordo com metodologias científicas, das quais a formulação e o estudo de teorias faz parte. Não existe nada de errado com isto - claro que há quem diga que é conhecimento "inútil", mas isso é um argumento tão saloio que não me parece relevante discuti-lo aqui. Se é essa a sua base, pode parar por aqui.
3)As Ciências da Comunicação são uma ciência social? A meu ver não, são um construto de conteúdos e reflexões com origem noutras ciências sociais organizado em torno de uma temática, tal como os Estudos Europeus, as Ciências Religiosas, etc.
4) Estudar a Comunicação enquanto fenómeno social é importante para os jornalistas? Suponho que tenhamos de concordar que sair da sua zona de conforto para uma reflexão mais profunda não faz mal a ninguém, especialmente se for suposto que vá depois fazer uso do seu sentido crítico, mas indo mais longe que isto - eu acho que faz sentido ter analisado o poder e os efeitos da principal ferramenta de trabalho que se vai utilizar. Se acho que devia ser obrigatório? Não, não acho. E não é.
4) Em Ciências da Comunicação dá-se só "teoria"? Não, dá-se Direito, Deontologia, escrita...O curso está longe de ser perfeito, mas mais de metade do que vejo nos jornais e é gravoso não passava, mas não passava nunca, pelos professores que tive. Torna-se difícil culpá-los pelo descalabro.
5)O primeiro curso de Ciências da Comunicação foi criado em Portugal no início dos anos 80, talvez 1980 ou 1981. Sete anos depois do 25 de Abril portanto. O bom jornalismo era quando, no Verão Quente? Ou nos saudosos tempos da Emissora Nacional? Durante a Primeira República? Ou antes do regicídio é que era? Glorificar o passado é bom porque fica sempre bem, mas vai-se a ver e quase nunca confere.
6) No fundo, no que diz respeito à qualidade do jornalismo, parece-me difícil distingui-la da qualidade do povo e da qualidade do discurso e da discussão públicas. Esta é má, mas aqui identificar culpados é tipo pescadinha de rabo na boca. Arriscando eu, diria que um bom princípio era começar por não demonizar "as teorias". Ter lido Foucault nunca fez ninguém esquecer-se de como trocar fusíveis.
Mas toda esta discussão se situa muito longe do conteúdo do post. No último caso de que falo estamos a discutir pessoas que vão contra princípios deontológicos com que em teoria se comprometeram - por ingenuidade, por desonestidade, por falta de arcabouço intelectual para compreender as coisas, por falta de exigência moral consigo mesmo? Não sei.
1) concordo. Aliás, o erro não está em não se tirar 1 curso universitário em vez do cenjor, o erro está em não se tirar um curso universitário numa área técnica (economia, ciencia, direito, politica,etc etc etc) e complementar com o cenjor para trabalhar numa redação. o jornalismo em si são ferramentas para a transmissão de informação. Não se compreender a sério a informação que se vai transmitir é 90% garantido que a coisa vai correr mal.
ReplyDelete2&3) ninguém falou sobre as ciências sociais. falei sobre jornalistas formados exclusivamente em "ciências da comunicação". Não quer dizer que o curso seja inútil tal como não quer dizer que física quântica seja inútil. é é um curso teórico que deveria formar meia dúzia de pessoas por ano se tanto para "reflectir" e analisar a comunicação social mas não fazer parte dela.
4) concordamos. utopicamente todos os jornalistas deveriam reflectir sobre isso e efectivamente ter algumas dessa reflexões como base, eventualmente como uma pequena pós-graduação que fizessem mais tarde no decurso da sua vida profissional ou seminários organizados pela entidade representativa da profissão. a minha crítica é essencialmente à ideia de que para ser jornalista tem de se ter este curso. e aos jornais que só contratam esses licenciados. e ao mesmo tempo não se apercebem porque cai o seu negócio.
4B)A teoria que me refiro é teoria da comunicação no sentido em que 99.9% dos jornalistas não sabem sequer conceitos básicos de ciência, política, Direito e legalismo ou vá lá economia para além dos chavões esquerda-direita..
5) o primeiro curso foi no inicio dos anos 80. logo quando as redacções começaram a ser inundadas e dominadas maioritariamente pelos novos formandos foi então nos ínicio dos anos 90.. concordamos portanto ;-) . Eu não glorifiquei o passado. e disse até que nem sabia se alguma vez tinha havido esse jornalismo de qualidade. . disse é que eu pessoalmente vejo cada vez mais erros, ignorância e decadência nos jornais na última década. e eventualmente na anterior. antes disso não garanto por falta de conhecimento...
6) não discordo totalmente mas isso é fugir com o rabo à seringa… existem profissionais competentes e indústrias competentes em todo o portugal. Mas alguém que me aponte um orgão de comunicação social que seja razoável nos dias que correm? * quanto à pescadinha de rabo na boca em política e jornalismo concordo; embora tenda mais a por a culpa no jornalismo por ser quem controla o fluxo de informação que um político pode ter ou não com os seus eleitores.
ok quanto à relação da discussão entre o post e isto. fica para outro dia então ;-)
* estranhamente o único que respeito mesmo não gostando é o Correio da Manhã. é o único que se dá ao trabalho de fazer "jornalismo" sobre o país real e ir ao terreno falar com as populações. O resto ficará algures nas redacções a mastigar telexs e press-releases.
A resenha histórica ainda me parece improvável, mas no resto estamos de acordo. Embora eu nāo ache que os jornalistas precisem necessariamente de um curso especializado noutra área, de 5 anos de Direito por exemplo - acho que em muitos casos bastava ter um mínimo de exigência intelectual consigo mesmo.
ReplyDeleteEu e uma amiga passamos uma vez três horas a destrinçar um comunicado sobre movimentações tectónicas porque sentimos que o tínhamos de perceber antes de escrever uma breve de umas sete linhas, mas já ninguém faz disso.
Por um lado, não há tempo nem pessoal, mas por outro falta mesmo é subir o grau de exigência, dos jornalistas com eles próprios, das chefias com os jornalistas, do público com o que consome.
Acho que há uns quantos (muitos) "jornalistas" a precisar de fazer este exercício seguido de correcção no quadro! Jornalismo, nos dias de hoje, é assim um bocadinho como o ser-se actor. Qualquer um o é e, ainda que se tenha tido alguma formação na coisa, cada um tem o seu ponto de vista e "estilo" (a manuela moura guedes falava muito em "estilo") de jornalismo.
ReplyDeleteQuem, como eu, acredita que os jornalistas têm um papel fundamental na manutenção de um regime democrático, assusta-se cada vez mais com o que lê mesmo em jornais ditos de referência. O nível da democracia acompanha sempre o nível do jornalismo existente num Estado.
ReplyDeletePasse bem Rita, de vez em quando venho aqui espreitar :)
como sempre, a apanhar bonés, mas isto tem alguma coisa a ver com aquele desmentido do Público sobre as nomeações do Governo??
ReplyDeleteNão, foi despoletado por um caso de "iiiiiiiii, eles são os maiores" de uma jornalista face a uma multinacional, e no meu caso já vem de antigamente, de muitas coisas muito más que leio, como o artigo da Visão ali de cima.
ReplyDeleteO caso do Público tenho de ir ver, ando tão assarapantada com a mudança mais a procura de emprego, mais o emprego antigo mais a maldita neve que não cai...
Ahhh, a multinacional é a P&G?
ReplyDeleteEra, era, mas isso não chegava para eu escrever o post, é mesmo um fenómeno muito comum. As revistas de beleza, por exemplo, nunca escrevem um "este creme é uma porcaria e está longe de valer o que custa" e as revistas de economia alinham pela mesma bitola.
ReplyDeletepois, de facto comprar uma revista de beleza é comprar no fundo um catálogo publicitário. Agora as de economia...
ReplyDeleteSão iguais, não há perfis em que o senhor não seja um grande homem, nem entrevistas que realmente vão ao fundo das questões, nem ideias de negócio destinadas à falência, nem... ... ...
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