Friday, January 27, 2012

a mítica fronteira entre o público e o privado


(via Aurea Mediocritas, já aqui publicada em 2010)


Eu compreendo quem embirra com os blogues em que tudo é fofinho, maravilhoso e magnífico, tudo nos corre bem, todos nos amam e a vida não cessa de nos sorrir. E compreendo não porque nos deixem com uma dúvida desconfortável, coisa que a mim só me apoquenta quando gosto das pessoas, mas porque acabam por não dizer mais nada senão isso, o que se torna vagamente cansativo.

Mas ao mesmo tempo, e acho que nesta fuga em frente sou muito minhota, lá no fundo também eu sou assim, também eu acredito que as alegrias podem ser públicas, mas as dores são sempre privadas.

Acho que não é só a vulnerabilidade e a exposição do nosso lado mais fraco que motiva esta minha convicção, mas como a sinto anterior a mim tenho dificuldade em argumentá-la. Pode ser (será?) um resquício de cortesia, de um velho mundo onde era considerado pouco delicado carregar os outros com a nossa dor, ou, o que vai no mesmo sentido ainda uma questão de pudor, o mesmo motivo portanto pelo qual não andamos despidos na rua.

Mas, partindo do princípio de que ambas as emoções são genuínas, porque me sinto mais despida quando estou triste do que quando estou alegre?

11 intenções:

  1. Porque a tristeza a fragiliza emocionalmente.

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  2. Porque na tristeza tudo dói, até o vento magoa e na felicidade somos invencíveis.

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  3. Porque para seres uma pessoa bonita, generosa e sensível, tens que ser vulnerável. Faz parte.

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  4. @interessada @margarida Sim, talvez passe por aí. Bate certo com a teoria que tenho desde sempre, de que só nos apaixonamos (equilibradamente, a sério) quando estamos bem - a fragilidade que impede a partilha.

    @sem-se-ver Sim, de acordo, mas não é estranho?

    @cjs Sim, mas a questão não era a vulnerabilidade, tão óbvia se calhar mais até nos que a tentam esconder, mas o motivo pelo qual eu sinto as minhas alegrias, mesmo as mais íntimas, como impulsos de partilha, e as minhas angústias, mesmo as mais comezinhas, como coisas a partilhar só com dois ou três, se tanto, que engolir é que é.

    Quando nasceu a Vitória por exemplo, não houve quem não tivesse ficado a saber, a escola toda. Interessava lá se me conheciam de algum lado ou não ;)

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  5. nada estranho, nada nada.


    (queres que desenvolva?)

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  6. Força, é lá pergunta que se faça! :)

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  7. pergunta-te ao contrário: e porque há-de ser estranho?

    e pergunta-te ainda mais ao contrário: e porque haveria de ser estranho?

    e ainda (etc) : porque haveria de ser estranho exibir a alegria?

    acho que na resposta às 3 se encontra a ... resposta :))


    (hoje estou a atirar pro enigmática => irritante :/ sorry )

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  8. Porque, a curto prazo, as alegrias fortalecem-nos e as tristezas fragilizam-nos? A longo prazo se calhar terão ambas o mesmo efeito, mas ali, no imediato, somos mais frágeis na nossa tristeza e o nosso instinto é proteger-nos.
    Acho que também partilhamos as alegrias porque isso nos dá a possibilidade de as multiplicar, coisa que com as tristezas seria um bocadinho masoquista.

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  9. Oh... "não chores" - dizem...

    Há tantos métodos fantásticos para aperfeiçoar a eficiência-feliz!

    Talvez sentir-se 'mais despida quando está triste' esteja directamente ligado à invenção da felicidade pronto-a-vestir!
    Oh, "sê forte", acumulemos a angústia, a tristeza lúcida ou a revolta para dentro, cantemos "os meus óculos de sol que eu levo para chorar tudo, sem ninguém vêr... trá lá lá", controlemos a expressão (essa danada!)...

    Oh, sorrir, sorrir sempre...

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