Monday, January 23, 2012

o pior sistema com exceção de todos os outros


Acabei de me cruzar com uma mulher quase da idade da minha mãe, na rua a pedir para comprar cortisona depois de uma vida de trabalho e descontos. Chorou abraçada a mim porque a tratei como uma pessoa.

Se este é o melhor sistema que conseguimos criar, somos uma bela merda.

21 intenções:

  1. Pois, a cortisona e outros medicamentos para crónicos já não são de borla :( Que miséria. Que miséria.

    ReplyDelete
  2. É isso mesmo, vergonha. Estou para aqui toda chorosa, mas äs tantas metade é so o peso da minha propria vergonha.

    ReplyDelete
  3. O que este sistema pretende é matar os que dele precisam para assim deixarem dele precisar...
    ;(

    ReplyDelete
  4. Medicamentos para doentes crónicos, mentais, hemodiálise, etc, são tudo luxos para este governo.

    ReplyDelete
  5. Custa tanto ver que estão a dar cabo do que custou tanto a construir e que era das pequenas coisas de que ainda nos podíamos orgulhar, esta da saúde para todos.

    ReplyDelete
  6. É por estas e por outras que acho que a tua decisão de voltar é ainda mais corajosa. O que é que uma pessoa pode fazer face a este tipo de injustiças tão generalizadas? Tenho a sensação que andam a sabotar o meu país e há pouco que se possa fazer...

    (Tinhas pedido para avisar quando voltasse, por isso cá estou, sob outro nome, mas estou. :) )

    ReplyDelete
  7. Que bom!
    (diz Rita Maria lendo só a parte das boas notícias)

    ReplyDelete
  8. falar é fácil... e o que é que cada um de vós(nós) faz quotidianamente para ajudar a mudar/melhorar o sistema?

    ReplyDelete
  9. http://www.min-saude.pt/NR/rdonlyres/8658C2CA-DE02-4852-A6D1-4EDFE7126F8B/0/0173501735.pdf

    ReplyDelete
  10. Infelizmente, acho que nos próximos tempos vamos assistir a mtas situações destas.
    Não quero parecer pessimista, que por norma n o sou, mas acho q se avizinham uns tempos mto difíceis.

    Essas situações são, de facto, mto tristes.

    ReplyDelete
  11. @anónimo Esse pedaço de legislação não diz rigorosamente nada.

    @cjs Falar, especialmente se for fácil, é um princípio tão bom como outro qualquer.

    ReplyDelete
  12. cjs,
    não votando nos cabr*es

    ReplyDelete
  13. Pois não, não diz nada, é um pedaço de legislação lírico e vago, mas com algumas boas intenções que até como intenções se perdem nos atentados cada vez mais graves a uma necessária "política de saúde mais justa e equitativa"...
    Há várias associações de doentes crónicos a reunirem e a tomarem posições, mas não se ouve. Falar disto, e de todos os assaltos imorais em curso, para que haja maior tomada de consciência da desmantelação intencional e descarada já é importante. Obrigado mais uma vez pelo teu serviço público.

    ReplyDelete
  14. Há em Portugal ainda muitas doenças sem estatudo de "doença crónica" !

    Utopia ainda maior mas que seria uma medida decente: para pessoas com doenças crónicas graves: a opção de trabalho em horário reduzido.

    ReplyDelete
  15. @sem-se-ver Está mais que visto que não chega. A cidadania não pode ser uma coisa pontual.

    @anónimo Achei que me querias mostrar a lei, mas ali não estava nada. Se a lei tiver mudado como diz a Izzie (e eu não sei se mudou), a nova também deve ter um preâmbulo do género.

    Mas para mim o extraordinário não foi isso, porque ela não se emocionou com o dinheiro, emocionou-se com o facto de alguém olhar para ela como uma pessoa inteira. O que implica que não é só que o sistema que é desumano, somos nós.

    ReplyDelete
  16. ainda @anónimo: Tens exemplos de tomadas de posição dessas associações, que possa publicar?

    ReplyDelete
  17. Rita, era aí que eu queria chegar.
    Falar é um bom princípio, mas não chega, se não for complementado com ações quotidianas, pequenas atitudes que ajudem a marcar a diferença.
    Os políticos, o Estado, o sistema, são sempre "eles", como se "nós" não tivessemos nada a ver com isso.
    Eu pergunto por ações quotidianas e respondem-me com eleições, que são quando o rei faz anos. Se for só nesses dias que exercemos a nossa cidadania, estaremos a perpetuar a desumanização atual, quiçá com a desculpa ideal: eu até nem votei nos cabr*es que ganharam. Fraco consolo, convenhamos.

    ReplyDelete
  18. ... sim. Falta também a emancipação do olhar e do estar _em_relação com o outro.

    Quanto a tomadas de posição de associações de doentes crónicos, conheço, através de familiar meu, a Associaçção Portuguesa de Doentes do Intestino e as suas lutas:

    http://www.apdi.org.pt/

    ReplyDelete
  19. "la communauté n'est pas destinée
    à guérir ou à protéger (?), elle expose,
    non par hasard, mais comme le coeur de la fraternité:
    le coeur ou la loi."


    (Blanchot "La communauté inavouable")

    ReplyDelete
  20. @cjs Para mim o maior problema é a separação entre a política e as ações quotidianas, com a política resumida ao voto nas urnas. Porque em casos como este, as ações quotidianas não chegam, casos como o dela precisam acima de tudo de uma resposta política. De um muito firme "não, eu não deixo que isto aconteça no meu país que eu financio com os meus impostos. Não em meu nome".

    Isso não invalida o valor imenso dos pequenos gestos e das ações quotidianas de ajuda localizada a problemas concretos, mas estamos conscientes das suas limitações naturais. Há coisas que podemos fazer enquanto pessoas individuais, há outras em que temos de nos empenhar para que não cheguem a acontecer.

    Como ela, quantos andarão a pedir para medicamentos? Quantos vão sucumbir ao poder da humilhação? Quantas vezes aguentará ela ser transparente na rua por horas e horas até reunir onze euros? O que terá sofrido já para se abraçar a chorar a mim só porque a tratei com um mínimo de respeito e consideração?

    Sim, eu quero que como pessoas sejamos mais vezes mais humanos, quero eu ser mais vezes mais humana, que mostremos não só mais carinho e compaixão mas também mais respeito e consideração, que saibamos partilhar em vez de dar e que aprendamos a fazê-lo deixando intacta a dignidade de quem pede, mas acima de tudo eu quero que algumas questões não se coloquem, que as pessoas não sejam obrigadas a depender da generosidade alheia.

    Eu não quero só que ela tenha cortisona, eu quero que ela se sinta uma pessoa inteira. E para isso tenho de impedir que o Estado a diminua em meu nome. A tarefa aqui é política e urgentíssima.

    Depois isso não chega e entretanto há pessoas concretas a sofrer e situações que exigem de nós que descubramos soluções temporárias? Há sim senhor.

    ReplyDelete
  21. São questões paralelas e simultâneas:
    . politicamente, ou te manifestas pontualmente quando votas, fazes greve, assinas uma petição, etc, ou então entras para a política ativa;
    . enquanto cidadã (e parte integrante do sistema), podes dar pequenos contributos diários que contribuam para minorar aquilo que criticas e que te incomoda nele.

    Porque é que esta aparente indignação generalizada se traduz depois no perpetuar do sistema (poder alternado entre PSD e PS)? Porque a maior parte dos que criticam, pouco ou nada fazem na prática para o alterar. Ou achas que uns Piraten portugueses chegavam, viam e venciam?

    ReplyDelete